domingo, 4 de dezembro de 2016

Com os olhos no 1º lugar

Depois da derrota do Benfica na Madeira, o jogo de ontem em Alvalade ganhou nova importância, pois uma vitória do Sporting colocava os Leões em posição de atacar a liderança do Campeonato já na próxima jornada.

A equipa reagiu da melhor forma a esse estimulo e fez uma excelente 1ª parte, marcando 3 golos e mostrando estar a caminho da melhor forma nesta altura decisiva da temporada, o que deixa todos os sportinguistas muito confiantes.

Com 2-0 ao intervalo, o Sporting regressou para a 2ª parte já a pensar nos jogos que aí vem, daí que a exibição tenha caído a pique, transformando-se num misto de desconcentração e de descontracção que o Vitória não foi capaz de aproveitar, incomodando Rui Patrício apenas por uma vez.

O jogo tornou-se morno e sensaborão com o Sporting a trocar a bola à espera que o relógio avançasse até ao 90º minuto.

No final sobram poucas notas, sendo que apenas há a dizer que mais uma vez me pareceu evidente que Bryan Ruiz não é um 10 e muito menos o 9/5 que Jorge Jesus tanto procura e que foi bonita a homenagem ao Chapecoense.

Para finalizar acrescento uma pergunta: Como é que este Costa nunca desceu de divisão? O homem é muito fraco na arte de apitar e consegue complicar mesmo num jogo fácil como este.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Novembro positivo

Depois de um Outubro muito atribulado, Novembro foi um mês relativamente tranquilo para o Sporting, que ainda na ressaca de mais uma derrota na Alemanha, ganhou sem grandes dificuldades ao Arouca, num jogo onde a notícia foi o triste caso do túnel.

Seguiu-se mais uma paragem para as selecções e o regresso à competição com um jogo de Taça, onde o pior que podia ter acontecido ao Praiense foi aquele golo logo a abrir, que despertou os Leões que aceleraram para uma goleada natural.

Na terça feira seguinte, em noite de recorde de assistência em Alvalade, o Sporting perdeu com o Real Madrid, novamente à beira do fim e desta vez "sem" Cristiano Ronaldo, mas com um empurrão da arbitragem.

O campeonato voltou com uma sempre complicada deslocação ao Bessa e outra vitória difícil, perante um Boavista lutador mas pouco mais do que isso.

Finalmente o regresso do Arouca a Alvalade no arranque da Taça da Liga. Um jogo morno e sem interesse, que terminou com mais uma vitória dos Leões em dia de serviços mínimos.

E pronto, o Sporting está afastado da Liga dos Campeões mas até se portou bem frente aos tubarões da Europa e poderia ter obtido melhores resultados. No Campeonato foi cumprida a missão de estancar o atraso com duas vitórias obrigatórias e retemperadoras, enquanto a segunda linha passou sem brilho nas taças.

Mais uma vez ficou à vista a importância de Adrien Silva nesta equipa, que com o regresso do seu Capitão tem logo outra cara. Notaram significativas melhorias no capitulo defensivo, enquanto Jorge Jesus continua à procura de um segundo avançado para emparceirar com Bas Dost, pois as muitas experiências feitas até agora não tem sido bem sucedidas, de tal forma que quase me atrevo a dizer que Daniel Podence bem poderia ter tido uma oportunidade.

Por falar em oportunidades, tenho de dizer que há alguns jogadores que as tem desperdiçado, nomeadamente Luc CastaignosLazar Markovic e Alan Ruiz, sendo que este me parece ser um jogador com grande potencial, mas com pouca atitude.

Por oposição quem continua a confirmar todo o seu talento é Gelson Martins, que já é a grande figura da equipa e o homem que os colegas procuram para resolver os casos mais bicudos.

Entrámos em Dezembro com uma boa noticia vinda da Madeira, mas agora há que ganhar ao Vitória para enfrentar os jogos decisivos que se seguem com o peito feito. Afinal o Campeonato ainda não acabou e há uma Liga Europa à espreita.





domingo, 6 de novembro de 2016

Uma exibição melhor do que o resultado

Em Dortmund Jorge Jesus inovou ao apostar num sistema de jogo com três centrais, que segundo ele tinha o objectivo de baralhar a estratégia ofensiva dos alemães. No entanto verificou-se que a coisa não estava bem oleada e logo nos primeiros minutos Sebastián Coates cometeu um penalti do tamanho do mundo que o árbitro não marcou e pouco depois Marvin Zeegelaar não saiu a tempo e Paulo Oliveira não chegou à bola que acabou dentro da baliza leonina.

A perder desde muito cedo temeu-se o naufrágio, mas a equipa estabilizou e acabou por fazer uma boa exibição e até poderia ter empatado, embora seja verdade que o Borússia também podia ter feito o 2-0.

No fim pode-se dizer que a equipa até nem fez feio, mas também fica a sensação que Jorge Jesus podia ter arriscado mais um bocadinho.

Notas altas para o regresso de Adrien Silva e para mais uma boa actuação de Gelson Martins.

O pior foi o resultado do Real Madrid, que assim vem a Alvalade consciente de que não pode brincar muito, enquanto a decisão do apuramento para a Liga Europa fica marcada para o jogo de Varsóvia. Vida complicada para o Sporting.

domingo, 30 de outubro de 2016

Abaixo das expectativas

Por motivos vários ultimamente tenho tido pouco tempo para o futebol e mesmo não deixando de acompanhar o Sporting, a verdade é que nem sempre o tenho feito com a atenção que era costume, pelo que o Leoceano também ficou um pouco para trás.

Não vi o jogo da Taça pois a essa hora estava a viajar. Vi apenas um resumo alargado que deu para perceber que no geral a segunda linha não aproveitou a oportunidade que teve para mostrar serviço, de tal forma que o Famalicão bem poderia ter levado o jogo para prolongamento. No fim valeu a passagem à próxima eliminatória, onde só é pena que o jogo com o Praiense não seja cá na ilha.

Na terça feira fui a Alvalade com esperança numa vitória do Sporting perante um Dortmund que se anunciava desfalcado, mas sai de lá conformado com uma derrota frente a uma equipa perigosa, mas que defensivamente até não é nada de especial.

A 1ª parte do Sporting foi realmente muito fraca com o Borrusia com o jogo controlado. Depois do intervalo a equipa esteve bem melhor, mas o mal estava feito e já se sabe que os alemães tem sempre o manto protector das arbitragens. Agora resta garantir o 3º lugar e apostar numa boa campanha na Liga Europa.

Seguiram-se dois empates com exibições modestas, principalmente a 1ª parte de Alvalade com o Tondela e a 2ª na Choupana. Em ambos os casos ficou à vista a necessidade de se alterarem as regras no que diz respeito à cronometragem e ao sistema de pontuação dos campeonatos. Estas equipas entram em campo só para defender o zero a zero e passam o jogo todo a queimar tempo, coisa que diga-se de passagem o Borrusia de Dortmund também fez, mas estes pelo menos já tinham feito o suficiente para ganharem o jogo.

Com 7 pontos de atraso em relação ao líder do campeonato, Jorge Jesus foi alvo dos primeiros focos de contestação, pois é evidente que ainda não conseguiu resolver alguns problemas da sua equipa, nomeadamente a questão do segundo avançado e uma inesperada insegurança defensiva, mas principalmente a ausência de Adrien Silva, cuja importância é finalmente reconhecida.

Nesta altura o ânimo dos adeptos e da equipa não é o melhor, pelo que agora o que se pede é que não façam feio na Liga do Campeões e que encontrem forças para ganhar todos os jogos do Campeonato até ao "derby" da Luz, que para o Sporting será decisivo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A guerra da comunicação

Numa recente entrevista Bruno de Carvalho afirmou que a comunicação é uma das componentes mais importantes do futebol, atribuindo-lhe mesmo um peso de 25% no desfecho dos campeonatos.

Por outro lado, na época passada foi mais ou menos consensual que algumas bocas de Jorge Jesus contribuíram decisivamente para unir os benfiquistas à volta de um treinador que já tinha os patins calçados.

Talvez por isso esta temporada o Sporting adoptou uma estratégia de comunicação um pouco diferente, com a contratação de Nuno Saraiva, que surge como o espadachim de Bruno de Carvalho que assim fica mais resguardado.

Independentemente de tudo isto o Sporting continua a bater forte e feio em tudo o que mexe, de uma forma que por vezes me parece excessiva, embora eu seja um daqueles que sempre defendeu que era fundamental pôr a boca no trombone para desmascarar as poucas vergonhas do futebol português, ao contrário do que aconteceu durante muitos anos em Alvalade, onde reinavam as boas práticas e os bons costumes, em oposição a clubes liderados por verdadeiros gangsters.

Com barulho ou sem barulho, o Sporting tem uma desvantagem enorme perante o Benfica, que sempre beneficiou das boas graças da imprensa, daí que em 1922 tenha sido criado o Boletim Sporting, hoje Jornal Sporting, para defender o Clube dos ataques e injustiças de que já nessa altura era alvo.

Já passaram quase 100 anos e a música continua a ser a mesma. O Benfica reina a seu bel prazer na comunicação, colocando um conjunto de atiradores furtivos nas televisões e nos jornais, numa verdadeira carreira de tiro organizada, mas os maus da fita são o Presidente do Sporting e agora o seu Director de Comunicação, ao ponto de Luís Filipe Vieira ter o desplante de apelar aos seus para falarem apenas do Benfica, passando assim a imagem de estar à margem de todas estas guerras, das quais é o mandante, uma prática na qual ele se especializou ao longo da sua vida.

O último episódio desta patética guerra foi despoletado por um tal de Ventura, que garantiu ter informações de que os rapazes da Juve Leo condicionavam as Assembleias Gerais do Sporting. A discussão que daí resultou até doeu de tão ridícula que foi e parece que vai acabar nos tribunais.

Toda a gente sabe que nas Assembleias Gerais dos clubes nem sempre reina a urbanidade e a racionalidade e que os excessos são frequentes, da mesma maneira que também se sabe que as claques não são um exemplo em termos de comportamento, seja nos estádios, seja fora deles, e que muitas vezes são utilizadas pelos dirigentes como uma espécie de guarda pretoriana, portanto o que o Ventura disse não foi nada de novo, pelo que a discussão volta disto não teria grande interesse se não fosse o caso do rapaz querer atingir um alvo determinado.

Na verdade o que ele queria era acusar o Presidente do Sporting de utilizar as calques como escudo protector nas Assembleias Gerais do Clube. No entanto a verdade é que Bruno de Carvalho apesar de já ter feito parte das claques, nem foi apoiado por elas quando concorreu à Presidência do Clube e nos dias de hoje tem uma base de apoio popular tão alargada, que não precisa delas para fazer esse tipo de trabalho, até porque nem há oposição conhecida no Sporting.

Ou seja vale tudo para atacar Bruno de Carvalho e os venturas desta vida não tem pejo em inventar factos que depois tentam comprovar com palha, como sejam mensagens anónimas retiradas de blogs, que até podem ter sido escritas por eles, ou com uma gravação audio onde algumas pessoas se manifestam contra uma proposta apresentada pela Direcção do Sporting numa AG da SAD, ou seja na prática estavam a manifestar-se contra Bruno de Carvalho, o que é precisamente o contrário do que eles queriam demonstrar.

Enfim, é preciso ter muita paciência para discutir com tolos.


domingo, 2 de outubro de 2016

Da goleada ao empate

No futebol há coisas muito difíceis de explicar e algumas delas parece que só acontecem ao Sporting, mas a verdade é que a equipa de Jorge Jesus está a sofrer golos de mais, parecendo que há momentos em que pura e simplesmente se desliga.

Em Madrid a poucos minutos do fim do jogo o Sporting ganhava por 1-0, mas acabou por sofrer dois golos de enfiada. Em Vila do Conde o jogo estava controlado, mas em 15 minutos ficou perdido com três golos de rajada. Em Alvalade o Sporting ganhava por 3-0 ao Estoril e ainda foi a tempo de sofrer dois golos já perto do fim. Ontem aos 70 minutos o jogo estava ganho, mas num piscar de olhos o Sporting sofreu dois golos e acabou por ceder o empate à beira do fim.

O jogo até começou por ser equilibrado, mas a partir dos 20 minutos o Sporting tomou conta das operações e chegou ao intervalo a ganhar por 2-0. Na 2ª parte o domínio leonino intensificou-se e quando Elias fez o 3-0 o Sporting já podia estar a golear.

Depois aconteceu o impensável. Marega marcou dois golos de rajada e o que parecera certo, passou a estar em risco. Sem saber como o Vitória regressou ao jogo e acabou por empatar na sequência de um livre resultante de uma falta inexistente e com Soares a dar um pequeno empurrão a Ezequiel Schelotto, que nem teve a esperteza de cair.

Como é que aquilo foi possível é a pergunta que todos os sportinguistas fizeram naquele momento, para a qual ninguém tem resposta. A defesa do Sporting é a mesma que foi a menos batida da temporada passada e à excepção do Real Madrid na ponta final do jogo do Bernabéu, os nossos rivais nem incomodaram Rui Patrício, mas sempre que chegam à baliza marcam.

Há erros individuais em alguns golos, como aquela falta desnecessária de William Carvalho que deu o penalti, ou a falha de marcação de Sebastián Coates no segundo golo, mas o guarda redes do Guimarães também deu dois perus.

Também se pode falar na falta que fez Adrien Silva, que sempre que sai parece deixar a equipa sem comandante, mas nada explica tantos golos em tão pouco tempo.

De resto neste jogo deu para ver que Lazar Markovic pode ser uma opção válida para a posição de segundo avançado, porque de resto a equipa está feita, embora os laterais continuem a rodar.

Ontem Ezequiel Schelotto mostrou estar a subir de forma, mas foi anjinho no terceiro golo, enquanto Marvin Zeegelaar não esteve muito seguro, sendo que é no lado esquerdo que Jorge Jesus parece ter mais dúvidas.

Termina assim o segundo ciclo da temporada com o Sporting a 3 pontos do 1º lugar e com muitas dúvidas sobre o comportamento defensivo da equipa, que terá de melhorar muito se quiser discutir com o Dortmund o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Tudo normal

Depois da inglória derrota de Madrid, o Sporting recebia o Légia de Varsóvia num jogo em que era obrigatório ganhar, daí que Jorge Jesus tenha recorrido novamente a um onze com base na equipa do ano passado, apostando outra vez em Bruno César numa posição mais central, isto numa altura em que se esperava que André tivesse a sua oportunidade na posição de segundo avançado.

Esta postura aparentemente mais conservadora, revelou que o treinador do Sporting não estava disposto a correr riscos desnecessários, mesmo que do outro lado estivesse a equipa mais fraca do grupo.

De facto o Légia não incomodou muito, embora nos primeiros minutos até tivesse dado a impressão de não ser propriamente uma pêra doce, mas rapidamente o Sporting tomou conta das operações com William Carvalho e Bryan Ruiz em grande plano, enquanto Gelson Martins e Adrien Silva estiveram um pouco aquém das suas prestações mais recentes, o que não significa que tenham estado mal, nós é que estamos bem habituados.

Na frente Bas Dost continua a facturar e já não há dúvidas de que se lhe meterem as bolas em condições, ele marca. Já Rui Patrício teve pouco, ou nenhum trabalho, pois mesmo quando o Légia atacou mais, raramente o perigo rondou a baliza leonina.

O Sporting chegou pois ao 2-0 com naturalidade e apenas faltou o terceiro golo para que o jogo ficasse sentenciado, pelo que na 2ª parte os Leões foram gerindo a vantagem com segurança, mas apesar da fragilidade dos polacos, a margem não era totalmente tranquilizadora, mas mesmo assim deu para estrear Radosav Petrovic e rodar alguns jogadores.

No fim foi uma vitória justa e normal, embora sem ser brilhante. O pior foi que o Dortmund roubou um ponto ao Real Madrid, o que somado à vitória que tinha conseguido na Polónia, obriga o Sporting a fazer pelo menos o mesmo que os alemães fizeram, isto se os dois confrontos com eles, não forem claramente favoráveis a um dos lados.

Em suma, as duas primeiras jornadas foram aquilo que se esperava para o Sporting, agora é que vai começar a sério.


sábado, 24 de setembro de 2016

80 minutos agradáveis

Depois daqueles fatídicos 15 minutos de Vila do Conde, que resultaram numa derrota inesperada, Jorge Jesus não arriscou e recorreu àquele que é o seu onze neste momento, embora a posição de lateral esquerdo esteja completamente em aberto e Alan Ruiz continue a não convencer no lugar de segundo avançado.

O Sporting começou mal o jogo e acabou ainda pior, mas pelo meio fez 80 minutos de qualidade bastante aceitável e houve mesmo uma fase em que a goleada poderia ter acontecido.

Depois de um susto inicial a fazer lembrar o primeiro golo do Rio Ave, Gelson Martins abriu o livro e Bas Dost mostrou que temos ponta de lança. Ele pode não ter o espírito guerreiro de Slimani, mas é mais forte do que o argelino na área e ou muito me engano, ou vai marcar mais golos do que o seu antecessor.

Com a tranquilidade resultante dos golos, na 2ª parte houve tempo para a nota artística, sob a batuta de um grande William Carvalho que já em Vila do Conde tinha sido o único a escapar ao naufrágio defensivo da equipa e com um André que marcou alguns pontos, embora pareça sentir-se melhor como o homem mais adiantado, mas aí vai ter poucas hipóteses, pelo que terá de lutar pela posição de segundo avançado.

No fim vieram as substituições e, se Lazar Markovic até se integrou bem, Elias só teve tempo para ver a banda passar e candidata-se a ser o Aquilani desta temporada. Também com uma dupla como a que o Sporting tem no meio campo, não sei quem é que entrava ali.

Aqueles dois golos no fim é que eram escusados, mas a equipa já tinha mudado o chip para o modo Liga dos Campeões. De qualquer forma são erros a mais nos últimos dois jogos, que neste caso acabaram por dar um colorido ao marcador que não corresponde ao que o Estoril mostrou em campo, onde foi quase sempre uma equipa encolhida e inofensiva.





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mudar o chip

Na ante-visão à deslocação a Vila do Conde, Jorge Jesus disse que uma das maiores dificuldades dos jogos que se seguem aos confrontos europeus, é mudar o chip aos jogadores, o que somado ao desgaste que estes jogos causam nos atletas, principalmente quando se tratam de partidas de grande intensidade, como foi a da passada 4ª feira em Madrid, torna-os ainda mais complicados, uma situação que se agrava quando do outro lado temos uma boa equipa, como é o caso do Rio Ave, daí que eu já esperasse grandes dificuldades neste jogo.

Jorge Jesus não conseguiu mudar o chip aos seu jogadores, mas mudou a equipa, tentando poupar aqueles que certamente lhe pareceram mais sobrecarregados, optando por fazer descansar dois homens com mais de 30 anos e Bas Dost que teve um papel muito desgastante no Bernabéu, sendo mesmo o atleta com mais quilómetros percorridos durante a partida, isto para além de Marvin Zeegelaar que ficou de fora por precaução, em virtude de ter apresentado algumas queixas musculares.

Quatro alterações, que no fundo foram cinco, porque Bruno César recuou para lateral esquerdo, sendo que as diferenças principais aconteceram na linha da frente, onde se estreou uma dupla de avançados que nunca tinha jogado junta.

Curiosamente Alan Ruiz e André foram os protagonistas das duas melhores oportunidades de golo do Sporting na 1ª parte, que aconteceram antes do descalabro, mas ambos remataram de forma a permitir a defesa a Cássio, numa altura em que apesar do domínio leonino já se percebera que o Rio Ave entrara em campo para cumprir as ameaças do seu treinador, que afirmara que ia jogar para ganhar.

É verdade que se notava alguma falta de entrosamento lá na frente, mas mesmo assim o Sporting estava a conseguir entrar pelas alas, embora o último passe não estivesse a sair, mas o que ninguém esperava é que a equipa falhasse naquilo que é mais forte, ou seja na organização defensiva.

No primeiro golo é de bradar aos céus a forma como o Roderick vai por ali fora e principalmente a maneira como Sebastián Coates se deixa comer. No segundo é Gil Dias a fazer o que quer e depois Rui Patrício também não fechou o seu lado. No terceiro o descontrolo já era total e assim em 15 minutos o jogo ficou praticamente arrumado.

Depois do intervalo Jorge Jesus lançou Bryan Ruiz e Bas Dost e a única esperança passava por marcar cedo. No entanto o Rio Ave recuou as suas linhas e fechou-se lá atrás no conforto do resultado. Os dois homens que entraram ainda tiveram uma oportunidade cada um mas atiram ao lado e com o tempo a passar e o desgaste a acumular-se, percebeu-se que o desfecho do jogo estava definido.

Quando Bas Dost finalmente marcou faltavam pouco mais de 10 minutos para se jogar, foi pena que logo a seguir Sebastián Coates tenha falhado um golo feito à boca da baliza, mas a verdade
e que o Rio Ave pelo seu atrevimento e grande eficácia, acabou por ser um justo vencedor, perante um Sporting que não mudou o chip, mas talvez tenha feito mudanças a mais.



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O fado leonino em Madrid

Estava eu a assistir ao sorteio da Liga dos Campeões, quando ao reparar no acasalamento entre o Real Madrid e o Dortmund, não pude deixar de pensar que aquele seria o grupo onde o Sporting iria cair, pois já é mais do que habitual a falta de sorte que temos nestes verdadeiros "azareios" e a única coisa que me espantou foi que do pote 4 não nos calhou o Mónaco. 

É o nosso fado, tal como é fatal como o destino perdermos jogos de forma inglória em situações que parece que só acontecem ao Sporting.

Logo a abrir a prova o Sporting deslocou-se a Madrid para defrontar os todos poderosos Campeões Europeus, mas mesmo assim Jorge Jesus não hesitou em prometer uma equipa sem medo e fiel aos seus princípios de jogo.

E se o treinador leonino prometeu, melhor cumpriu, pois na realidade o Sporting entrou no Bernabéu de uma forma desinibida e foi a melhor equipa em campo durante toda a 1ª parte, conseguindo não só controlar completamente o jogo do Real Madrid, que apenas criou algum perigo num remate de Ronaldo a 30 metros da baliza, como esteve muito perto de marcar, pelo menos por três vezes.

O remate perigosíssimo de Bruno César logo a abrir foi o mote que a equipa precisava para entrar bem no jogo, com Gelson Martins a mostrar todo o seu talento, coisa em que só o engenhocas Santos é que parece ainda não ter reparado.

As escolhas de Jorge Jesus para este jogo foram as óbvias, apostando nos jogadores da época passada, com a excepção de Bas Dost, porque não sobrou nenhum dos avançados de 2015/16, mas num jogo destes o lugar de ponta de lança até pode ser o mais fácil de enquadrar, no entanto mesmo assim notou-se a falta de entrosamento do holandês com a equipa, principalmente nas três vezes que Gelson Martins partiu aquilo tudo, e em que depois faltou quem empurrasse a bola para a baliza. 

De resto Jorge Jesus optou pelos laterais que lhe dão mais garantias em termos defensivos e colocou Bruno César no meio, o que no jogo com o FC Porto já tinha resultado muito bem e que agora voltou a funcionar em pleno, com o "chuta-chuta" a beneficiar de mais espaço para rematar, o que lhe valeu um belo golo. 

Ia o jogo com 40 minutos e eu pensava cá com os meus botões que em primeiro lugar seria importante chegar ao intervalo sem sofrer golos e depois seria fundamental não tremer na reentrada para 2ª parte, onde seria previsível que o Real Madrid aumentasse o ritmo de jogo, saindo do tradicional deixa andar com que estas grandes equipas encaram os confrontos com adversários que à partida lhes são inferiores.

E de facto o Sporting ultrapassou esses dois momentos do jogo da melhor forma possível, pois logo a abrir a 2ª parte apanhou-se a ganhar um resultado que até se aceitava como justo e nem aí a equipa caiu na tentação de recuar muito na defesa da vantagem adquirida, mantendo-se muito bem plantada no terreno, numa organização perfeita que é a imagem de marca das equipas de Jorge Jesus

Percebeu-se então que dali para a frente só as substituições poderiam mexer com o jogo e de facto assim foi. Zidane lançou Lucas Vasquéz e Morata e o Real Madrid finalmente acordou para o jogo, aumentando a velocidade pelo que o perigo começou a rondar a baliza de Rui Patrício, que até aí tinha tido uma noite tranquila.

Tinha a palavra  Jorge Jesus que teve de recorrer a jogadores com 15 dias no clube e não foi feliz nas escolhas que fez em relação aos elementos que saíram. Começou por tirar Gelson Martins que até aí tinha sido a grande figura do jogo e aqui eu até compreendo que o miúdo já estivesse desgastado e que Lazar Markovic pudesse ser uma boa opção dada a sua velocidade e os espaços que se poderiam abrir, mas o sérvio está claramente fora de forma e nada trouxe à equipa que perdeu o jogador que estava a pôr em sentido a defesa contrária.

Depois saiu Adrien Silva quando me parecia a altura de tirar Bryan Ruiz ou Bruno César, até porque comigo o Capitão joga sempre. A verdade é que a equipa perdeu o seu comandante e Elias acabou por fazer aquela falta fatal já perto do fim do jogo. Sei que agora é fácil criticar, mas mesmo assim custa-me entender essa substituição, embora eu perceba que o arbitro estava a inclinar o jogo, pelo que Jorge Jesus provavelmente se quis prevenir contra um segundo amarelo.

De resto o treinador do Sporting já nem estava no banco donde foi expulso por protestar um inacreditável cartão amarelo mostrado a William Carvalho, o que segundo o próprio Jorge Jesus prejudicou e muito a equipa, porque com ele no seu posto o Sporting não teria perdido. Não sei se seria assim, ou não, mas um homem experiente como o técnico leonino não se pode pôr a jeito daquela forma e depois queixar-se. 

Eu e todos os que viram o jogo, percebemos a dualidade de critérios do árbitro e daqui do meu sofá disse-lhe das boas, o que também me valeu um merecido cartão amarelo da minha Maria, pois o homem realmente fez o que pôde para nos tirar do sério, mas quem está lá dentro tem de manter a cabeça fria.

Com o jogo empatado e 4 minutos para se jogar, talvez tenham faltado as vozes de comando do treinador e do capitão da equipa e o que é certo é que o João Pereira não poderia ter perdido aquela bola a 30 segundos do fim e perdendo-o alguém teria de fazer uma falta logo ali, mas não, deixaram a bola seguir para o James, a última cartada de Zidane, que acertou em cheio nas substituições e ganhou o jogo com alguma sorte, pois nos dois golos Rui Patrício até quase fez o impossível, mas o poste quis empurrar a bola para dentro, embora diga-se a verdade que antes tinha negado um golo feito ao Ronaldo, num período em que o Real esteve duas ou três vezes perto do empate, que seria um resultado mais justo. Mas isso de justiça nos resultados dos jogos de futebol já se sabe como é e se a vitórias morais de pouco servem, os empates ainda menos devem servir.