sábado, 24 de setembro de 2016

80 minutos agradáveis

Depois daqueles fatídicos 15 minutos de Vila do Conde, que resultaram numa derrota inesperada, Jorge Jesus não arriscou e recorreu àquele que é o seu onze neste momento, embora a posição de lateral esquerdo esteja completamente em aberto e Alan Ruiz continue a não convencer no lugar de segundo avançado.

O Sporting começou mal o jogo e acabou ainda pior, mas pelo meio fez 80 minutos de qualidade bastante aceitável e houve mesmo uma fase em que a goleada poderia ter acontecido.

Depois de um susto inicial a fazer lembrar o primeiro golo do Rio Ave, Gelson Martins abriu o livro e Bas Dost mostrou que temos ponta de lança. Ele pode não ter o espírito guerreiro de Slimani, mas é mais forte do que o argelino na área e ou muito me engano, ou vai marcar mais golos do que o seu antecessor.

Com a tranquilidade resultante dos golos, na 2ª parte houve tempo para a nota artística, sob a batuta de um grande William Carvalho que já em Vila do Conde tinha sido o único a escapar ao naufrágio defensivo da equipa e com um André que marcou alguns pontos, embora pareça sentir-se melhor como o homem mais adiantado, mas aí vai ter poucas hipóteses, pelo que terá de lutar pela posição de segundo avançado.

No fim vieram as substituições e, se Lazar Markovic até se integrou bem, Elias só teve tempo para ver a banda passar e candidata-se a ser o Aquilani desta temporada. Também com uma dupla como a que o Sporting tem no meio campo, não sei quem é que entrava ali.

Aqueles dois golos no fim é que eram escusados, mas a equipa já tinha mudado o chip para o modo Liga dos Campeões. De qualquer forma são erros a mais nos últimos dois jogos, que neste caso acabaram por dar um colorido ao marcador que não corresponde ao que o Estoril mostrou em campo, onde foi quase sempre uma equipa encolhida e inofensiva.





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mudar o chip

Na ante-visão à deslocação a Vila do Conde, Jorge Jesus disse que uma das maiores dificuldades dos jogos que se seguem aos confrontos europeus, é mudar o chip aos jogadores, o que somado ao desgaste que estes jogos causam nos atletas, principalmente quando se tratam de partidas de grande intensidade, como foi a da passada 4ª feira em Madrid, torna-os ainda mais complicados, uma situação que se agrava quando do outro lado temos uma boa equipa, como é o caso do Rio Ave, daí que eu já esperasse grandes dificuldades neste jogo.

Jorge Jesus não conseguiu mudar o chip aos seu jogadores, mas mudou a equipa, tentando poupar aqueles que certamente lhe pareceram mais sobrecarregados, optando por fazer descansar dois homens com mais de 30 anos e Bas Dost que teve um papel muito desgastante no Bernabéu, sendo mesmo o atleta com mais quilómetros percorridos durante a partida, isto para além de Marvin Zeegelaar que ficou de fora por precaução, em virtude de ter apresentado algumas queixas musculares.

Quatro alterações, que no fundo foram cinco, porque Bruno César recuou para lateral esquerdo, sendo que as diferenças principais aconteceram na linha da frente, onde se estreou uma dupla de avançados que nunca tinha jogado junta.

Curiosamente Alan Ruiz e André foram os protagonistas das duas melhores oportunidades de golo do Sporting na 1ª parte, que aconteceram antes do descalabro, mas ambos remataram de forma a permitir a defesa a Cássio, numa altura em que apesar do domínio leonino já se percebera que o Rio Ave entrara em campo para cumprir as ameaças do seu treinador, que afirmara que ia jogar para ganhar.

É verdade que se notava alguma falta de entrosamento lá na frente, mas mesmo assim o Sporting estava a conseguir entrar pelas alas, embora o último passe não estivesse a sair, mas o que ninguém esperava é que a equipa falhasse naquilo que é mais forte, ou seja na organização defensiva.

No primeiro golo é de bradar aos céus a forma como o Roderick vai por ali fora e principalmente a maneira como Sebastián Coates se deixa comer. No segundo é Gil Dias a fazer o que quer e depois Rui Patrício também não fechou o seu lado. No terceiro o descontrolo já era total e assim em 15 minutos o jogo ficou praticamente arrumado.

Depois do intervalo Jorge Jesus lançou Bryan Ruiz e Bas Dost e a única esperança passava por marcar cedo. No entanto o Rio Ave recuou as suas linhas e fechou-se lá atrás no conforto do resultado. Os dois homens que entraram ainda tiveram uma oportunidade cada um mas atiram ao lado e com o tempo a passar e o desgaste a acumular-se, percebeu-se que o desfecho do jogo estava definido.

Quando Bas Dost finalmente marcou faltavam pouco mais de 10 minutos para se jogar, foi pena que logo a seguir Sebastián Coates tenha falhado um golo feito à boca da baliza, mas a verdade
e que o Rio Ave pelo seu atrevimento e grande eficácia, acabou por ser um justo vencedor, perante um Sporting que não mudou o chip, mas talvez tenha feito mudanças a mais.



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O fado leonino em Madrid

Estava eu a assistir ao sorteio da Liga dos Campeões, quando ao reparar no acasalamento entre o Real Madrid e o Dortmund, não pude deixar de pensar que aquele seria o grupo onde o Sporting iria cair, pois já é mais do que habitual a falta de sorte que temos nestes verdadeiros "azareios" e a única coisa que me espantou foi que do pote 4 não nos calhou o Mónaco. 

É o nosso fado, tal como é fatal como o destino perdermos jogos de forma inglória em situações que parece que só acontecem ao Sporting.

Logo a abrir a prova o Sporting deslocou-se a Madrid para defrontar os todos poderosos Campeões Europeus, mas mesmo assim Jorge Jesus não hesitou em prometer uma equipa sem medo e fiel aos seus princípios de jogo.

E se o treinador leonino prometeu, melhor cumpriu, pois na realidade o Sporting entrou no Bernabéu de uma forma desinibida e foi a melhor equipa em campo durante toda a 1ª parte, conseguindo não só controlar completamente o jogo do Real Madrid, que apenas criou algum perigo num remate de Ronaldo a 30 metros da baliza, como esteve muito perto de marcar, pelo menos por três vezes.

O remate perigosíssimo de Bruno César logo a abrir foi o mote que a equipa precisava para entrar bem no jogo, com Gelson Martins a mostrar todo o seu talento, coisa em que só o engenhocas Santos é que parece ainda não ter reparado.

As escolhas de Jorge Jesus para este jogo foram as óbvias, apostando nos jogadores da época passada, com a excepção de Bas Dost, porque não sobrou nenhum dos avançados de 2015/16, mas num jogo destes o lugar de ponta de lança até pode ser o mais fácil de enquadrar, no entanto mesmo assim notou-se a falta de entrosamento do holandês com a equipa, principalmente nas três vezes que Gelson Martins partiu aquilo tudo, e em que depois faltou quem empurrasse a bola para a baliza. 

De resto Jorge Jesus optou pelos laterais que lhe dão mais garantias em termos defensivos e colocou Bruno César no meio, o que no jogo com o FC Porto já tinha resultado muito bem e que agora voltou a funcionar em pleno, com o "chuta-chuta" a beneficiar de mais espaço para rematar, o que lhe valeu um belo golo. 

Ia o jogo com 40 minutos e eu pensava cá com os meus botões que em primeiro lugar seria importante chegar ao intervalo sem sofrer golos e depois seria fundamental não tremer na reentrada para 2ª parte, onde seria previsível que o Real Madrid aumentasse o ritmo de jogo, saindo do tradicional deixa andar com que estas grandes equipas encaram os confrontos com adversários que à partida lhes são inferiores.

E de facto o Sporting ultrapassou esses dois momentos do jogo da melhor forma possível, pois logo a abrir a 2ª parte apanhou-se a ganhar um resultado que até se aceitava como justo e nem aí a equipa caiu na tentação de recuar muito na defesa da vantagem adquirida, mantendo-se muito bem plantada no terreno, numa organização perfeita que é a imagem de marca das equipas de Jorge Jesus

Percebeu-se então que dali para a frente só as substituições poderiam mexer com o jogo e de facto assim foi. Zidane lançou Lucas Vasquéz e Morata e o Real Madrid finalmente acordou para o jogo, aumentando a velocidade pelo que o perigo começou a rondar a baliza de Rui Patrício, que até aí tinha tido uma noite tranquila.

Tinha a palavra  Jorge Jesus que teve de recorrer a jogadores com 15 dias no clube e não foi feliz nas escolhas que fez em relação aos elementos que saíram. Começou por tirar Gelson Martins que até aí tinha sido a grande figura do jogo e aqui eu até compreendo que o miúdo já estivesse desgastado e que Lazar Markovic pudesse ser uma boa opção dada a sua velocidade e os espaços que se poderiam abrir, mas o sérvio está claramente fora de forma e nada trouxe à equipa que perdeu o jogador que estava a pôr em sentido a defesa contrária.

Depois saiu Adrien Silva quando me parecia a altura de tirar Bryan Ruiz ou Bruno César, até porque comigo o Capitão joga sempre. A verdade é que a equipa perdeu o seu comandante e Elias acabou por fazer aquela falta fatal já perto do fim do jogo. Sei que agora é fácil criticar, mas mesmo assim custa-me entender essa substituição, embora eu perceba que o arbitro estava a inclinar o jogo, pelo que Jorge Jesus provavelmente se quis prevenir contra um segundo amarelo.

De resto o treinador do Sporting já nem estava no banco donde foi expulso por protestar um inacreditável cartão amarelo mostrado a William Carvalho, o que segundo o próprio Jorge Jesus prejudicou e muito a equipa, porque com ele no seu posto o Sporting não teria perdido. Não sei se seria assim, ou não, mas um homem experiente como o técnico leonino não se pode pôr a jeito daquela forma e depois queixar-se. 

Eu e todos os que viram o jogo, percebemos a dualidade de critérios do árbitro e daqui do meu sofá disse-lhe das boas, o que também me valeu um merecido cartão amarelo da minha Maria, pois o homem realmente fez o que pôde para nos tirar do sério, mas quem está lá dentro tem de manter a cabeça fria.

Com o jogo empatado e 4 minutos para se jogar, talvez tenham faltado as vozes de comando do treinador e do capitão da equipa e o que é certo é que o João Pereira não poderia ter perdido aquela bola a 30 segundos do fim e perdendo-o alguém teria de fazer uma falta logo ali, mas não, deixaram a bola seguir para o James, a última cartada de Zidane, que acertou em cheio nas substituições e ganhou o jogo com alguma sorte, pois nos dois golos Rui Patrício até quase fez o impossível, mas o poste quis empurrar a bola para dentro, embora diga-se a verdade que antes tinha negado um golo feito ao Ronaldo, num período em que o Real esteve duas ou três vezes perto do empate, que seria um resultado mais justo. Mas isso de justiça nos resultados dos jogos de futebol já se sabe como é e se a vitórias morais de pouco servem, os empates ainda menos devem servir.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Na pré época à 4ª jornada.

No futebol dos nossos dias vive-se uma situação inadmissível que não interessa a ninguém, ou por outra não interessa aos clubes nem aos jogadores, servindo apenas os interesses de um conjunto de pessoas que gravitam à volta do jogo e que enriquecem à custa dele, enquanto os clubes se afundam em dívidas.

Refiro-me como é óbvio ao facto da janela do mercado só fechar no final de Agosto, quando as competições oficiais já estão em marcha, obrigando os treinadores a muita ginástica antes de poderem construir as suas equipas tranquilamente, como seria desejável. Mas infelizmente praticamente ninguém fala disto e quase todos encaram a situação como normal. É a ditadura dos interesses financeiros.

Sábado em Alvalade Jorge Jesus lançou uma linha da frente quase totalmente renovada, dando inclusivamente a titularidade a um jogador que só tinha feito dois treinos com a equipa. O resultado foi uma exibição fraquinha, na qual se notou nitidamente a falta de entrosamento entre a linha da frente e o resto da equipa.

Bas Dost e Alan Ruiz até mostraram bons pormenores, com o avançado holandês inclusivamente a molhar a sopa e mesmo o próprio André entrou bem no jogo, beneficiando do facto de ser um jogador com ritmo de competição. mas foi notório que cada um jogava por si, pois faltam as rotinas e o conhecimento entre eles.

Em Joel Campbell isso ainda foi mais notório, pois ele fartou-se de complicar, teimando em jogar sozinho, mas mesmo assim foi bafejado com a felicidade de marcar um golo e fez o jogo todo.

Apesar de todos estes problemas o Sporting ganhou tranquilamente, até porque do outro lado esteve uma equipa que pouco fez para contrariar os Leões, começando logo desde o princípio do jogo a queimar tempo e só incomodando Rui Patrício já perto do fim, quando tudo já estava resolvido e no Sporting já toda a gente estava com a cabeça em Madrid.

O jogo teve três fases: uma 1ª parte morna disputada a um baixo ritmo, mas que ficou marcada pelo golo e pela expulsão de Neto, que deram tranquilidade ao Sporting para entrar muito bem no 2º tempo, naquela que foi a melhor fase do jogo, onde os Leões arrumaram rapidamente a questão com mais dois golos, seguindo-se a fase de descompressão, que até deu para Jorge Jesus tirar aqueles que estavam a ser os dois melhores jogadores da sua equipa e experimentar outra dupla de avançados, no sector mais aberto no que diz respeito à luta pela titularidade.

No fim foi cumprido o objectivo prioritário, mas esta ainda é uma equipa em fase de montagem e já vamos na 4ª jornada. Por enquanto sem percalços, mas vem aí jogos complicados.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Um plantel renovado

Se há algum reparo que eu considere aceitável que se faça aos três anos e meio da gerência de Bruno de Carvalho, terá de ser em relação à pouca assertividade da política de contratações levada a cabo até agora.

É verdade que esta Direcção encontrou um Clube em pré falência, com ordenados em atraso e sem um cêntimo em caixa, pelo que não era fácil ir ao mercado sem dinheiro, mas mesmo assim foi mau, principalmente na segunda temporada onde se contratou sem qualquer nexo e à revelia do treinador.

Com a chegada de Jorge Jesus ao comando do futebol do Sporting as coisas começaram a mudar, mas mesmo assim só no mercado de Janeiro é que foi resolvido um problema que era visível há anos, com a contratação de Sebastián Coates, o tão desejado patrão para a defesa.

No entanto a nível de banco o plantel Sporting continuou a deixar muito a desejar, como se viu sempre que o treinador recorreu às segundas linhas, nomeadamente na Liga Europa e na Taça da Liga.

Na época passada Jorge Jesus dispôs de um grupo de 14 ou 15 jogadores que foram capazes de formar uma equipa muito forte que só não ganhou o Campeonato por um conjunto de factores estranhos, mas agora com a Liga dos Campeões no calendário a exigência é outra.

Para contratar bem era necessário vender e o Sporting começou por atacar o mercado com prudência, mas depois das vendas de João Mário e Islam Slimani foi possível não só colmatar essas duas importantes saídas, como assegurar um conjunto de alternativas fortes para todas as posições.

O ataque era a zona mais carenciada da equipa e com as saídas de Islam Slimani e de Teo Gutierrez, teve de sofrer uma verdadeira revolução, mas agora conta com quatro avançados que vão lutar pela titularidade, sendo que Bas Dost é à partida aquele que mais garantias parece oferecer para ser o herdeiro de Islam Slimani, não só pelas suas características, mas também pela qualidade que tem demonstrado ao longo da sua carreira.

No entanto Luc Castaignos e André também são jogadores credenciados que podem ocupar qualquer uma das duas posições da frente, embora o primeiro ainda esteja em fase de afirmação e segundo tenha um percurso algo irregular. Já Alan Ruiz será apenas opção para o lugar de segundo avançado, mas o que vi até agora deste jogador não me impressionou, vamos aguardar que justifique o grande investimento que foi feito nele.

Para além disso há Joel Campbell e Lazar Markovic, dois jogadores cheios de talento que também podem actuar como segundos avançados, embora prefiram jogar mais pelas alas. Ambos vem emprestados e sem opção de compra pelo que não pondo em causa a inegável qualidade destes futebolistas, não posso deixar de temer que possam tapar o crescimento de Gelson Martins, um enorme talento que aparece em grande forma neste arranque de época.

Se a estes sete jogadores que referirmos, juntarmos Bryan Ruiz e Bruno César, então temos nove candidatos para quatro lugares, um verdadeiro luxo, principalmente quando comparamos com o que acontecia na temporada passada.

No meio campo a grande vitória de Bruno de Carvalho foi segurar a dupla de Campeões da Europa William Carvalho e Adrien Silva, mas agora há também um jogador de qualidade inegável como Elias, que oferece outras soluções, principalmente se o treinador preferir jogar com três no meio, como fazia às vezes com João Mário. Para além disso foram contratados Radosav Petrovic e Marcelo Meli, isto sem esquecer que  Jorge Jesus parece acreditar no valor de Bruno Paulista e que Bruno César é pau para toda a obra.

A defesa foi o sector que sofreu menos mexidas, o que se compreende pois o quarteto que acabou a época passada como titular era formado integralmente por jogadores que chegaram em Janeiro passado. Assim apenas há a registar a entrada de Douglas para o lugar de Naldo, um jogador que foi muito bem vendido.

Na baliza temos um dos melhores guarda redes do mundo mas faltava um suplente à altura, uma situação muito bem resolvida com a contratação de Beto.

Enfim já não temos só uma boa equipa, ficámos com um plantel muito forte e em alguns casos até com opções a mais, pelo que se prevê uma luta muito acesa, principalmente nos lugares da frente, e ainda há vários jogadores que terão de provar o seu valor, sendo que a maior das questões é saber-se até que ponto Bas Dost será capaz de fazer esquecer Islam Slimani, porque o problema do banco parece estar resolvido e para o lugar de João Mário há muitas e boas opções.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O caso Adrien Silva

Aqueles que me conhecem sabem que já há mais de dois anos que considero Adrien Silva como o jogador mais importante do Sporting, pelo que o que me espanta é o facto de só agora terem aparecido clubes interessados nele.

Por incrível que pareça Adrien Silva só se estreou na Selecção Nacional A em Dezembro de 2014, numa altura em que por exemplo um jogador vulgar como André Almeida já somava 6 internacionalizações.

Na temporada passada Adrien Silva atingiu ao auge da sua carreira, mas mesmo assim não participou na campanha de apuramento para o Euro 2016, no entanto a sua chamada aos 23 que estiveram na fase final, tornou-se inevitável.

Chegou a França sem grandes perspectivas de jogar, mas os três empates de Portugal na fase de grupos obrigaram Fernando Santos a recorrer ao meio campo do Sporting e a exibição de Adrien Silva frente à Croácia, anulando completamente Modric, garantiu-lhe um lugar que já há muito merecia.

Portugal foi Campeão da Europa com Adrien Silva na batuta, no entanto o nome dele continuou a não ser dos mais falados quando o mercado começou a ferver, de tal forma que eu cheguei a escrever aqui que ainda bem que ninguém se lembrava dele, pois tratava-se do jogador mais importante da equipa e o mais difícil de substituir.

Curiosamente, ou talvez não, a poucos dias do fecho do mercado e em cima de um importante Sporting-FC Porto, finalmente descobriram Adrien Silva, que se transformou subitamente num dos casos mais discutidos nesta fase sempre cheia destas novelas.

Com uma proposta que ao que se diz multiplicava várias vezes aquilo que o jogador ganha no Sporting, onde já é há alguns anos um dos mais bem pagos, Adrien Silva não resistiu e veio a público manifestar a sua vontade de sair, uma ideia reforçada logo de seguida pelo seu pai e como não podia deixar de ser, pelo empresário da ordem.

O mais interessante foi quando o Presidente do Lion contou que Jorge Mendes andara a oferecer Adrien Silva a vários clubes franceses, uma situação que estranhamente ninguém estranhou.

Aqui a minha pergunta é: sabendo-se que o Sporting não queria vender o seu Capitão e que Adrien Silva tinha recentemente mostrado a sua vontade de terminar a carreira em Alvalade, quem é que mandatou o melhor empresário do mundo e arredores a vender o jogador? Acho que a resposta não é muito difícil conhecendo-se os interesses e relações próximas de Jorge Mendes com um certo clube, no entanto o que me espanta é que ninguém estranhou ou questionou o comportamento daquele empresário.

A novela durou até à meia noite de 4ª feira e teve outro episódio curioso, quando a ESPN anunciou que o Leicester ia bater a clausula de rescisão de Adrien Silva. Provavelmente aflitos com tal desfecho, alguém lançou uma curiosa explicação para o negócio, o Sporting ia vender Adrien Silva e Slimani em pacote para enganar um investidor que detinha uma percentagem do passe do argelino, numa aldrabice igual à que o FC Porto fez com João Moutinho, quando o vendeu ao Mónaco em conjunto com James Rodriguez.

O que ninguém se lembrou foi que  a SAD leonina também não detém a totalidade do passe de Adrien Silva, pelo que essa habilidade não teria efeitos práticos nas contas finais das transferências. Enfim, valeu para horas de conversa dos pseudo-especialistas.

No final Bruno de Carvalho fez o que tinha a fazer e o Sporting segurou o seu Capitão, que já veio garantir que estará de corpo inteiro em Alcochete, logo que termine a "operação Suiça" em curso nesta paragem do Campeonato, enquanto o Presidente do Sporting depois de ter concretizado as duas maiores vendas da história do Clube, agradeceu a quem ficou, não se esquecendo de elogiar especialmente Adrien Silva.

Perante um desfecho tão pacifico logo se levantou outra questão: teria Adrien Silva condições para continuar a ser o Capitão da equipa do Sporting? Que não, que horror, pois os adeptos e os companheiros jamais lhe perdoariam a traição de ter manifestado o desejo de sair. E então o intratável Presidente do Sporting. Esse de certeza que lhe iria receitar umas duzentas verdascadas nas costas, para que todos percebessem quem manda em Alvalade.

Curiosamente nunca me lembro de alguém ter levantado esses problemas nas muitas vezes que um tal de Luisão manifestou vontade de aproveitar as boas oportunidades que lhe surgiram ao longo da sua carreira. Mas isso já se sabe que no outro lado nunca há problemas.

No balanço final pode-se dizer que Adrien Silva foi um dos grandes reforços do Sporting nesta janela do mercado que agora finalmente se fechou e com ele a equipa estará inevitavelmente mais forte, como mais forte ficou a posição do Presidente Bruno de Carvalho, depois de mais uma vez ter sido capaz de acima de tudo defender os interesses do Clube.

Quanto a Adrien Silva, é perfeitamente normal que tenha ficado tentado com a proposta do Campeão de Inglaterra, mas soube aceitar o desfecho das negociações com a serenidade e o carácter que todos lhe reconhecem, e agora poderá concentrar-se em concretizar o seu sonho de ser Campeão pelo Sporting.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Na liderança

E pronto, o Sporting ultrapassou as três primeiras jornadas do campeonato 100% vitorioso e chegou à pausa para as selecções na semana do fecho de mercado, isolado na liderança.

Depois de na 1ª jornada terem arranjado um castigo para o Islam Slimani, agora na semana do clássico choveram propostas para os melhores jogadores do Sporting, mas Jorge Jesus tem a sua equipa montada e no clássico frente ao FC Porto apostou num onze ainda sem jogadores acabados de chegar.

Assim Alan Ruiz ficou de fora, enquanto Bryan Ruiz derivou para o meio, com Bruno César a fazer a meia esquerda e Gelson Martins a manter-se no lado direito, onde pelo menos por agora já ninguém se lembra de João Mário.

Embalados pela vitória em Roma, os portistas entraram a todo o gás e ganharam o meio campo, fruto de uma pressão alta que criou algumas dificuldades ao sector mais forte do Sporting, onde Adrien Silva esteve muito abaixo daquilo a que nos habituou.

Jorge Jesus viu onde estava o buraco e trocou de posição Bryan Ruiz com Bruno César, equilibrando a luta no meio e ganhando criatividade no lado esquerdo.

Rezam as crónicas que esta foi uma jogada decisiva para o desfecho da partida, mas a verdade é que os dois primeiros golos aconteceram antes e, nasceram ambos de livres cavados com dois belos mergulhos.

Estava o jogo numa fase de indefinição, quando Gelson Martins operou a reviravolta com um excelente remate, num lance onde realmente a bola tocou no braço de Bryan Ruiz, mas não há nenhuma acção deliberada ou, aproveitamento de uma maior ocupação de espaço, que possa configurar motivo para a marcação de uma falta, pelo que como diria Jorge Jesus, foi limpinho, limpinho.

Daí para a frente foi quase sempre o Sporting a mandar no jogo e a estar mais perto do 3-1, com Adrien Silva e William Carvalho, este por duas vezes, a terem excelentes ocasiões para marcarem.

Esperava-se outra reacção do FC Porto, principalmente depois do intervalo, mas o Sporting conseguiu manter o jogo sob controle, salvo uma ou outra situação de maior aperto, quando Nuno Espírito Santo arriscou com a entrada de mais um avançado, mas aí já Jorge Jesus tinha posto trancas à porta com a entrada de Bruno Paulista.

O Sporting ganhou porque apesar de tudo foi a melhor equipa em campo, mas agora rasgam-se as vestes do árbitro que não teve um trabalho isento de erros num jogo que também não foi fácil, e onde o seu critério disciplinar deixou muito a desejar, mas daí até dizer-se que Tiago Martins teve influência no resultado, vai uma grande distância.

No final Islam Slimani despediu-se em lágrimas depois de festejar mais um golo, com Bas Dost  na tribuna a ver o que se espera dele e Joel Campbell a estrear-se com alguns pormenores de requintado recorte técnico.

Não sei se Fernando Santos também terá estado na tribuna, mas lá, ou em casa, terá seguramente visto Rúben Semedo e Gelson Martins a mostrarem serviço mais do que suficiente para justificarem a chamada à Selecção Nacional, pelo menos comparando com os gonçalos guedes e outros que tais, que por muito menos já tiveram direito a uma convocatoriazinha.

Enfim, está superado com distinção o prólogo do campeonato e já deu para eles perceberem que vão levar outra vez com um Sporting forte.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Caem as máscaras


Segundo os relatos transcritos pelo jornal Record, no passado domingo no final do jogo do Estádio da Luz, o presidente do Benfica ter-se-á dirigido a João Ferreira, vice presidente do Conselho de Arbitragem e ao observador de serviço, nos seguintes termos: "É uma vergonha... Como é que nomeiam este tipo?"
Por outro lado foi visível que ainda no relvado, Rui Vitória também questionou o arbitro Manuel Oliveira e ao que parece ter-lhe-à perguntado: "Ó Manel tens alguma coisa contra mim?", isto para além de no final do jogo ter afirmado: "Não fomos eficazes, mas o árbitro também não foi. Repetiu o que tinha feito na última época. Repetiu a exibição e, resumindo, deu empate. Fundamentalmente na segunda parte houve decisões que na minha opinião não foram bem tomadas. Não é nenhum lance em concreto, mas quem anda no futebol percebe. Uma ou outra situação condicionou o jogo. Não foi uma arbitragem bem conseguida, Quando os jogadores falham, prejudicam-nos. Quando os árbitros erram, prejudicam uma das equipas"
Se dúvidas houvessem agora está confirmado, Luís Filipe Vieira estava habituado a escolher os árbitros para os jogos do Benfica. De resto basta passar uma vista de olhos pelas nomeações da época passada e percebe-se que andavam sempre à volta de uma dúzia de nomes muito convenientes.
Quanto às declarações do treinador do Benfica, elas apenas fizeram cair a máscara do menino bem comportado que enquanto teve a barriga cheia sob a protecção das nomeações amigas, pôde cantar alto a sua superioridade em termos de comportamentos, mas agora bastou um simples empate para desatar a bater no árbitro.
O mais incrível é que tudo isto se passou depois de um jogo onde o Benfica nem tem grandes razões de queixa. É verdade que este Manuel Oliveira é muito fraquinho, mas pelo que vi o maior prejudicado até foi o Vitória de Setúbal, pois o Nelson Semedo deveria ter sido expulso ainda na 1ª parte. Agora imaginem quando eles tiverem mesmo razões para se queixarem.
Entretanto o Presidente do Sporting veio a terreiro elogiar o comportamento das arbitragens neste arranque de época, saudando também as mudanças nos critérios das nomeações. Ele lá saberá o que diz, mas a mim pareceu-me que se precipitou. Mais dia, menos dia, a fava vai calhar ao Sporting e aí quando ele reagir vão-lhe cair todos em cima na cobrança destas declarações. Nestas coisas a prudência diz-nos que o melhor mesmo é estar calado e esperar pela pancada. Oxalá ela não venha já no próximo domingo.

domingo, 21 de agosto de 2016

Sob a batuta do Capitão

O Sporting ganhou tangencialmente em Paços de Ferreira, num jogo onde foram notórias as melhorias da equipa, mesmo já sem João Mário, que na minha opinião é de entre todos aqueles de quem se fala que podem ser vendidos, o que menos falta fará à equipa e que mais facilmente será substituído.

Com Islam Slimani de regresso ao onze, Alan Ruiz jogou naquele que é o seu lugar e o ataque ganhou em agressividade, mas esta dupla ainda não está afinada, porque se estivesse a vitória tinha sido seguramente mais tranquila.

Estas novelas das transferências acabam sempre por mexer com os jogadores pelo que é natural que o argelino esteja ansioso, enquanto o argentino ainda está à procura de entrar no andamento da equipa. Mostra pormenores de qualidade, mas joga muito devagar.

Onde se notou maior evolução foi no processo defensivo, de tal forma que o Paços não teve uma verdadeira oportunidade de golo e Rui Patrício desta vez não fez uma só defesa digna de destaque.

Sebastián Coates apareceu finalmente em bom plano e teve mesmo um corte decisivo no lance mais perigoso do Paços de Ferreira, pelo que com o seu patrão em pleno, tudo se torna mais simples lá atrás na defesa.

No meio é que esteve a virtude com a dupla William Carvalho/Adrien Silva em grande plano, principalmente o Capitão, que continua jogo após jogo a mostrar ser um jogador enorme. Felizmente que ninguém dá por ele e eu só espero que o mercado feche antes alguém acorde, porque este sim seria muito difícil de substituir.

Depois de um inicio atrevido dos paçenses o Sporting assumiu o comando do jogo e o golo do Capitão marcado em cima do intervalo foi mais do que justo.

Na 2ª parte o domínio do Sporting intensificou-se, mas faltou matar o jogo.

Depois com o passar do tempo o Paços de Ferreira tentou subir no terreno e o Sporting baixou o ritmo, mas não se pode dizer que tenha sofrido para segurar a vantagem, embora controlar um jogo com um resultado tangencial seja sempre um risco.

E pronto o Sporting ultrapassou estas duas jornadas a coberto dos danos colaterais que podiam resultar da instabilidade do mercado que continua aberto para gáudio dos comissionistas, enquanto os clubes estranhamente nada fazem para mudar esta situação.

Venha o Porto e o fecho do mercado para finalmente toda a gente se focar na equipa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Um arranque relativamente tranquilo

O Sporting começou o Campeonato com uma vitória por 2-0 sobre o Marítimo, num jogo onde Jorge Jesus apresentou um onze com algumas surpresas, em parte resultantes das prestações pouco convincentes da dupla Ruiz/Ruiz que o treinador ensaiou nos últimos jogos da pré época, havendo ainda a registar a titularidade de João Pereira no lado direito da defesa.

Sem Islam SlimaniAlan Ruiz jogou sozinho na frente com João Mário a ser uma espécie de 10, enquanto Gelson Martins assumiu a titularidade no lado direito e Bryan Ruiz voltou ao lugar que foi seu na temporada passada, com evidentes ganhos para ele e para a equipa.

Com um meio campo de grande qualidade superiormente comandado por Adrien Silva, o Sporting assumiu o comando do jogo e foi a equipa mandona que nos habitou em 2015/16, mas defensivamente cometeu erros pouco habituais, de tal forma que o Marítimo até teve as duas melhores oportunidades de golo da 1ª parte. Valeu então ao Sporting o facto de ter um dos melhores guarda-redes do mundo e muita sorte naquela bola que bateu na barra e fugiu do jogador madeirense que se aprestava para a recarga.

Mas fora isso a 1ª parte foi toda do Sporting e o golo de Sebastián Coates fez justiça ao que se tinha passado em campo, mesmo que tenha sido notória a falta de um homem na área e a inadaptação de Alan Ruiz ao posto de ponta de lança.

Depois do intervalo o Sporting regressou ainda mais forte e, fez 15 minutos de grande intensidade até ao golo de Bryan Ruiz que matou o jogo, embora no último quarto de hora os Leões tenham perdido o controlo de jogo, que no entanto já estava num ritmo de inicio de época, pelo que o Marítimo nunca mostrou ter capacidade para pôr em causa a vitória do Sporting.

No fim percebeu-se que aquela defesa ainda está longe da afinação que se exige a um candidato ao título, daí que eu comece a entender o porquê de tantos rumores de novas contratações e principalmente ficou demonstrado que precisamos de pelo menos mais dois avançados, pois pelo menos por agora Alan Ruiz está longe de me convencer.

Valeu que este Marítimo também está longe de ser uma equipa pronta para outros voos, pelo que mesmo com as limitações presentes do Sporting, foi possível uma vitória relativamente fácil e tranquila.