domingo, 19 de fevereiro de 2017

O regresso de Rui Patrício

Há uns meses atrás o Sporting sofreu a sua primeira derrota no Campeonato, num jogo onde ao intervalo já perdia por 3-0, tendo sofrido os golos em pouco mais do que um quarto de hora. É verdade que nesse dia a equipa não estava a realizar uma grande exibição, mas o Rio Ave também não tinha feito nada de especial, no entanto naqueles 16 ou 17 minutos finais da 1ª parte, foram à baliza três vezes e marcaram três golos.

Ontem em Alvalade, na 1ª parte tivemos um Rio Ave a mandar no jogo de uma forma que eu não me lembro de ter visto nenhuma equipa das chamadas pequenas fazer, mas desta vez Rui Patrício foi aquilo que se espera de um grande guarda redes como ele é e, defendeu tudo o que havia para defender, enquanto Alan Ruiz aproveitou a única oportunidade que o Sporting teve, para fazer o seu golo da ordem.

O Sporting de facto jogou muito pouco, de tal forma que nem me lembro de Bas Dost ter feito um remate à baliza, contrariando as melhorias evidenciadas nos últimos jogos, onde ofensivamente a equipa mostrou alguns progressos, mas a grande diferença esteve em Rui Patrício, que depois de algumas jornadas infelizes, parece ter voltado ao seu normal e com um guarda redes assim seguramente que o Sporting não teria sofrido alguns golos que sofreu, nem tinha perdido alguns pontos que perdeu.

Jorge Jesus certamente que não lê este blogue, mas viu o óbvio e fez as mudanças que se exigiam na defesa. No entanto apesar do zero final e da boa resposta de Paulo Oliveira, um central sempre eficaz, muito sóbrio e que acima de tudo não inventa, a linha defensiva não funcionou bem colectivamente, mas o pior foi o meio campo que nunca conseguiu pegar no jogo, apesar dos esforços do sempre incansável Adrien Silva.

É verdade que na 2ª parte, principalmente depois das duas primeiras substituições, a equipa conseguiu pelo menos empurrar o jogo para o meio campo adversário, no entanto faltou alguma objectividade na hora de sair para o ataque.

Depois a lesão de Adrien Silva complicou as coisas e deu mais espaços ao Rio Ave, mas com mais ou menos ansiedade, o Sporting lá conseguiu guardar os 3 pontos, ao contrário do que aconteceu em jogos onde a equipa esteve muito melhor em termos exibicionais.

O futebol é mesmo assim, nem sempre o resultado reflecte a produção das equipas, mas como agora está na moda dizer-se, o que conta conta é levar a gaja para casa.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

As criticas de um sócio atento

Bruno de Carvalho tem a fama de conviver mal com as criticas, mas a verdade é que quando ele foi eleito em Março de 2013 chegou a afirmar que o sócio Bruno seria o maior critico do Presidente Carvalho.

Nessa altura eu tinha essencialmente duas reservas em relação a Bruno de Carvalho: A inexperiência da equipa que ele apresentou para liderar o Futebol e a falta de sustentabilidade financeira para o seu projecto.

Quatro anos depois posso dizer que se confirmaram alguns dos meus receios, mas apresar disso a fé que me levou a votar em Bruno de Carvalho saiu reforçada, mesmo que não goste do seu estilo cheio de metáforas e excessivamente interventivo, às vezes até grosseiro, de tal forma que o próprio já disse que nem sempre gostava de se ouvir. No entanto isto é apenas uma questão de estilo, o que está longe de ser o mais importante no desempenho de um líder.

Voltando à minhas reservas iniciais, direi que em relação à área financeira ele superou todas as expectativas, embora esteja por esclarecer aquela questão do investidor fantasma. Eu sempre estive convencido que não havia investidor nenhum, e que tudo não passava de demagogia eleitoral, tal como agora não acredito que Madeira Rodrigues tenha algum investidor, mas isso faz parte do jogo politico, de que eu não gosto mas que até compreendo. O que já me parece estranho é a insistência nessa conversa do investidor, que das duas uma, ou não existe e a mentira já não é desculpável enquanto fruto de uma campanha eleitoral, ou então cheira a esturro e vai contra tudo o que Bruno de Carvalho sempre defendeu em matéria de transparência.

Em relação ao Futebol, a inexperiência de Bruno de Carvalho era evidente, da mesma maneira que Inácio e Virgílio não tinham passado como dirigentes. Há no entanto um mérito que não lhes podemos negar: apostaram sempre em bons treinadores, o que de certa forma minimizou o desastre que no geral foi a politica de contratações.

No primeiro ano não era possível exigir muito dado o desinvestimento, pelo que o balanço até foi muito positivo, mas depois Bruno de Carvalho foi com muita sede ao pote, e a posição de força tomada perante Marco Silva foi na minha opinião o ponto mais negro deste seu primeiro mandato, tanto mais que ainda agora em tribunal José Eduardo afirmou que se tinha limitado a ler a cartilha que lhe encomendaram. Vá lá que o Presidente recuou a tempo de não estragar completamente uma temporada que poderia ter sido bem melhor, se a equipa tivesse sido reforçada de acordo com a pretensões do treinador. Bastava ter havido um pouco mais de tolerância e cabeça fria.

Do 8 ao 80, a Jorge Jesus foram dados todos os poderes e mais alguns e até a cabeça de Inácio rolou. Na época passada quase que resultou, mas nesta a coisa correu mal e já houve um recuo. Esperemos que agora se encontre o meio termo de forma pacifica.

Basicamente eu recomendaria ao Presidente apenas três correcções em relação ao seu desempenho: 

  1. Não vá a todas com tanta sede, poupe-se mais ao desgaste desnecessário, sem atraiçoar o seu próprio estilo, do qual posso não gostar, mas é o dele e tenho de o respeitar.
  2. Tente encontrar uma saída airosa para a questão do investidor fantasma, um assunto o qual me parece que vai ter de evitar ao máximo, pois agora não será fácil sair ileso dele. Esclareça se puder esclarecer, caso contrário vai ficar mal na fotografia.
  3. Com um treinador como Jesus não será possível ter um Director Técnico com os poderes que eu sempre defendi, por isso resta tentar algum equilibro. Não se pode dar ao treinador carta branca para tudo e temos mesmo de levar à letra aquela frase de dar um passo atrás para depois dar dois em frente. Resta saber se todos o entendem e sabem conviver com essa realidade.
De resto pode ter havido uma ou outra coisa que não correu bem, como a reestruturação do site que continua muito fraco, ou os equipamentos, particularmente com aquela aberração dos calções verdes, mas com tanta coisa para fazer e poucos meios disponíveis não se pode pedir tudo e mais alguma coisa em quatro anos que foram também de aprendizagem.

Para um segundo mandato espero que se tirem as devidas ilações dos erros e se continuem a dar passos seguros em frente, numa caminhada que não é fácil e para a qual o Presidente precisa do apoio de todos os sportinguistas, um apoio que não pode ser cego nem seguidista, mas que deve ser cada vez mais forte e activo, tanto cá fora como lá dentro, onde às vezes parece que falta uma voz que lhe sirva de travão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O guião de Jorge Jesus

Jorge Jesus já escolheu o seu guião e como bom teimoso que é não se vai desviar dele, mas o problema está no elenco, que principalmente na defesa continua a cometer erros, que como o próprio treinador referiu no final do jogo de domingo, são erros individuais.

O caso mais gritante é o de Rúben Semedo, um jogador que nunca me convenceu, e que domingo repetiu exactamente o mesmo erro que cometera no Dragão e que tal como nessa altura resultou em golo. Perder bolas tontas parece ser a especialidade deste rapaz, pelo que não entendo porque é que Paulo Oliveira saiu da equipa.

Depois e como se não bastasse não haver um defesa esquerdo de jeito, Jorge Jesus insiste em Bruno César que só pode ser solução para este lugar em casos pontuais quando for preciso arriscar tudo. Se não houver outro, que jogue o Ricardo Esgaio.

E para completar o ramalhete, até Rui Patrício está irreconhecível. Aquele penalti não lembra a ninguém e mesmo no primeiro golo o guardião ficou mal na fotografia, como de resto tinha acontecido várias vezes nos últimos jogos. Está na hora do nosso nº 1 abrir as capelas, porque o Beto é uma boa alternativa e não pode haver vacas sagradas.

Quanto ao jogo, Inácio resolveu copiar a táctica do Nuno Espírito Santo: pontapé para a frente nas costas da defesa leonina e não tendo um Soares teve o Dramé, mas aquele primeiro golo só nos apanhados.

Reagiu bem a equipa e chegou ao empate, mas veio o tal penalti e o Sporting conseguiu ir para o intervalo a perder um jogo que só se complicou por culpa própria.

Na 2ª parte foi preciso recorrer ao menino Daniel Podence que voltou a dizer presente e em poucos minutos já tinha feito mais do que um Bryan Ruiz em clara baixa de forma.

O Sporting encostou o Moreirense às cordas e deu a volta ao resultado mas ainda teve tempo para dar mais um bónus que Dramé quase aproveitou, valeu então a barra.

Esta foi uma vitória importante para moralizar as tropas que bem precisam, pois mais um tropeção poderia ser devastador, mas a equipa não pode continuar a oferecer tantos golos.

O guião até pode ser bom e a equipa está a melhorar em termos ofensivos com Alan Ruiz a ser espremido pelo treinador, mas os artistas tem de ser capazes de pô-lo em prática também lá atrás e sem erros repetidos que complicam o que pode ser fácil.

O treinador não tem culpa dos erros individuais de cada um, mas cabe-lhe tirar as devidas ilações desses erros, principalmente se eles forem sendo repetidos sempre pelos mesmos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O meu voto é seu Presidente.

Quando em 2011 assisti pela primeira vez a uma intervenção pública de Bruno de Carvalho numa entrevista ao Record, houve ali qualquer coisa que me fez acreditar que podia estar na presença do líder que faltava ao Sporting há vários anos.

Apesar de algumas dúvidas quanto a questões como o Fundo russo e às suas opções para o Futebol, principalmente em relação ao treinador Van Basten e ao modelo escolhido para a estrutura, teria votado nele por uma questão de fé. Seria um voto na ambição, na juventude, um voto no risco e na vontade de mudar.

Não pude votar e fiquei em estado de choque com o que aconteceu no dia das eleições e pior ainda com os dois anos que se seguiram, mas em 2013 cumpriu-se o destino de Bruno de Carvalho. Chegara finalmente a hora da mudança, mas as minhas reservas em relação ao novo Presidente continuavam a ser mais ou menos as mesmas: a questão financeira e o futebol.

Passaram 4 anos desde a sua eleição e hoje Bruno de Carvalho é um homem odiado por muitos e adorado por outros tantos, mas que no geral conquistou o povo sportinguista, sendo que um dos  melhores elogios que lhe podemos fazer, será reconhecer que se não fosse a decepcionante carreira da equipa de futebol nesta época, provavelmente nem tinha aparecido uma candidatura de oposição.

Os méritos de Bruno de Carvalho são tantos que seria exaustivo enumerá-los todos aqui, pelo que me limito a referir os mais emblemáticos como a reestruturação financeira, a construção do Pavilhão, a Sporting TV, o despertar da nação leonina que estava moribunda, a luta contra os poderes instituídos e a sua dedicação total à causa sportinguista.

Infelizmente faltou ganhar o campeonato na época passada, mas não é isso que vai alterar aquilo que eu considero um balanço extremamente positivo desta primeira gerência de Bruno de Carvalho, o que não quer dizer que eu seja um daqueles sportinguistas que diz ámen a tudo o que o nosso Presidente faz e diz. Pelo contrário sou muito critico em relação a algumas questões, mas isso ficará para um próximo artigo.

Hoje é só para dizer que nem que a vaca tussa, o meu voto é seu Presidente.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Adeus 2º lugar

O Sporting perdeu por 2-1 com o FC Porto e ficou afastado do 2º lugar que garante o acesso directo à Liga dos Campeões. Agora resta a Jorge Jesus a missão de reconstruir a equipa, lançando as bases para a próxima temporada sob diferentes premissas, sem esquecer que o 3º lugar passa a ser o objectivo mínimo obrigatório.

O jogo do Dragão ficou marcado por várias situações curiosas, que acabaram no seu somatório por ser determinantes para o resultado final, mas não deixa de ser estranho que uma equipa depois de 45 minutos de completa nulidade, se transforme como da noite para o dia e, seja capaz de encostar às cordas um rival moralizado por dois golos e a jogar em casa.

De facto a 1ª parte do Sporting foi de uma pobreza confrangedora, mas também há que dizer que a exibição do FC Porto esteve longe de ser brilhante, pois na verdade a equipa portista limitou-se a aproveitar dois erros primários dos jogadores leoninos, pelo que o 2-0 com que se chegou ao intervalo não era propriamente fruto de uma exibição empolgante dos portistas.

É verdade que a aposta de Nuno Espírito Santo em Soares, um jogador que trabalha que se farta, baralhou a defesa leonina, pois João Palhinha nunca atinou com a marcação ao brasileiro, ficando intimamente ligado aos dois golos, principalmente ao primeiro, no qual cometeu um erro de iniciado.

A ausência de William Carvalho foi pois um dos factores determinantes neste jogo, não só pelo equilíbrio defensivo que este jogador transmite à equipa, como também pela sua capacidade de sair com a bola, que poderia ter sido fundamental, até porque era suposto o Sporting ter vantagem numérica no seu meio campo, dada a opção táctica do treinador do Porto.

E aqui chegamos a outra ausência forçada que não foi menos importante, referimos-nos como é óbvio a Bruno César, que teria entrado como uma luva no vértice mais atacante daquele meio campo, num papel que está mais do que visto que não assenta em Bryan Ruiz, muito menos num jogo onde se exige um grande desdobramento entre as tarefas defensivas e ofensivas.

É claro que agora é fácil perguntar porque é que o Alan Ruiz não entrou logo de início, mas a verdade é que o argentino também não é propriamente um exemplo de abnegação, pelo que com algum esforço até compreendo a opção de Jorge Jesus, embora esta tenha falhado por completo, também porque Matheus Pereira é neste momento um jogador sem ritmo que nada acrescentou à equipa. Podemos pois concluir que restavam os miúdos que vieram do Moreirense.

A perder por 2-0 Jorge Jesus lançou Alan Ruiz e ganhou dois jogadores: o argentino que mexeu com a equipa e Bryan Ruiz que na esquerda rende muito mais. Mas será que jogando de início com esta linha tudo tinha corrido da mesma forma que correu na 2ª parte, com o FC Porto a sofrer muito e a segurar a vantagem apenas graças a uma espantosa exibição de Iker Casillas? Pois aí está a resposta quem ninguém tem para dar.

Nota ainda para a entrada descomplexada de Daniel Podence, a mostrar que tem lugar de caras, se não no onze, pelo menos no grupo dos que jogam frequentemente e acredito que Francisco Geraldes também vai ser muito útil à equipa.

Menos feliz foi João Palhinha, que andou um bocado atarantado, mas que dizer de Marvin Zeegelaar. Até Ricardo Esgaio conseguiu fazer muito melhor do que este holandês que não marca, comete muitas faltas e nem sequer faz a diferença a atacar.

No final o Sporting só se pode queixar das opções falhadas do seu treinador em contraponto com o tiro certeiro de Nuno com Soares e dos duplos erros individuais que estiveram na origem dos dois golos, porque de resto Casillas limitou-se a fazer o seu trabalho e do árbitro não há nada a dizer.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Pedro Madeira Rodrigues

Em primeiro lugar devo dizer que considero salutar o aparecimento de uma candidatura alternativa a Bruno de Carvalho, principalmente para que o Presidente não caia na tentação de julgar que está acima do Sporting, coisa que infelizmente já alguns sportinguistas parecem considerar.

Só é pena que provavelmente esta, ou outra candidatura, só tenha, ou teria aparecido, porque os resultados da equipa de futebol estão a ser decepcionantes e, pior do que isso, que o sucesso da mesma esteja totalmente dependente desses resultados, pelo que só uma hecatombe futebolística poderia levar o candidato da oposição à vitória.

As minhas primeiras impressões sobre Pedro Madeira Rodrigues foram positivas. Um homem que deixa para trás uma carreira profissional aparentemente estável, para se meter numa aventura destas, só pode ser maluco pelo Sporting, para além de seguramente dever estar muito bem de vida. Depois revelou um grande à vontade na comunicação e pelo menos inicialmente, uma postura positiva, coisa que julgo agradar à maioria dos Sportinguistas.

No entanto a tarefa de ser oposição a Bruno de Carvalho não é fácil e Pedro Madeira Rodrigues partindo com a enorme desvantagem de ser um desconhecido, começou rapidamente a cometer erros, até se espalhar por completo na questão do treinador.

Primeiro quis ser lobo sem lhe vestir a pela, ou seja, sabendo-se que a verdadeira oposição a Bruno de Carvalho reside num grupo de pessoas ligadas, directa ou indirectamente, ao período da vida do Sporting que ficou conhecido como o Projecto Roquete, Pedro Madeira Rodrigues tentou de alguma forma demarcar-se delas, não deixando no entanto, de aqui ou ali, elogiar alguns dirigentes do passado recente, indo ao ponto de lhes dar méritos em questões como a reestruturação financeira e heresia das heresias, a construção do Pavilhão João Rocha. As fracturas do passado recente estão ainda bem vivas e é impossível agradar a uns e ao mesmo tempo piscar o olho aos outros.

Curiosamente quem melhor pareceu perceber isto foi o mandatário da candidatura da oposição, que numa intervenção por quase todos considerada desastrada, por ter elogiado o Presidente do Sporting, referiu-se a Pedro Madeira Rodrigues como um Bruno de Carvalho para o melhor, ressalvando as diferenças de estilo, e é aí que o actual líder leonino é menos consensual, ou seja é praticamente só por aí que se pode pegar com algum fundamento.

Completamente desastrada foi a reacção de Pedro Madeira Rodrigues à autêntica armadilha que Bruno de Carvalho lhe estendeu ao colocar o nome de Jorge Jesus na sua infindável Comissão de Honra. O candidato alternativo reagiu a quente e precipitadamente, ficando com dois problemas gigantescos para resolver: Como se ver livre do actual treinador cujo despedimento iria custar muitos milhões ao Sporting e onde desencantar de imediato um substituto ao nível de Jorge Jesus, sabendo-se que nesta altura poucos serão os bons treinadores disponíveis, não só em termos de compromissos, como também para se sujeitarem a serem bandeira de um projecto que à partida não parece ter pernas para andar.

Teria sido tão fácil para Pedro Madeira Rodrigues despejar o odioso da questão em cima de Bruno de Carvalho, acusando-o e com alguma razão, de estar a usar a sua posição para se servir do nome de um alto funcionário do Sporting e ao mesmo tempo desculpabilizar o treinador, porque este obviamente não podia dizer não ao seu Presidente, evitando assim os apertos em que se viu metido. Mas não, quis cortar a pés juntos e agora ficou entalado e não tem como fugir.

O outro ponto fraco de Bruno de Carvalho é a questão do, ou dos investidores fantasmas, mas o problema aqui é que Pedro Madeira Rodrigues também não tem investidores e dificilmente os vai arranjar, portanto atacar o seu concorrente com uma mão cheia de nada, não vai resultar.

De resto no meio disto tudo pode até surgir uma ou outra ideia interessante, há sempre alguma coisa que se aproveita, mas nada que tenha grande impacto e a tentação de atirar pedras a torto e a direito em que este candidato parece estar a cair, ao ponto de desprezar bandeiras tão caras ao povo sportinguista, como o fim da postura subserviente em relação aos rivais, ou o afastamento dos comissionistas que giram à volta do futebol, só vai jogar contra ele e estragar a imagem de diferente para melhor que inicialmente tentou passar.

Assim, nesta altura eu diria que se ele tiver 10% dos votos, fez um grande resultado.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Antes do Dragão

No último jogo antes do fecho do mercado e da deslocação ao Dragão, onde uma derrota afastará os Leões também do 2º lugar e do acesso directo à Liga dos Campeões, o Sporting voltou às vitórias, mas continuou a ser uma equipa muito inconstante.

Depois de uma boa 1ª parte que terminou com um confortável 3-0, o Sporting desligou o motor cedo de mais e quando sofreu um golo logo no início do 2º tempo, a equipa mostrou a intranquilidade que Jorge Jesus temia, acabando por sofrer mais um golo, que reavivou os fantasmas de Guimarães.

Valeu que Bas Dost foi rápido a responder, mas do susto não se livraram os mais de 40 mil que responderam à chamada para irem a Alvalade mostrar o seu apoio à equipa neste momento difícil.

Rui Patrício voltou a não ser feliz no primeiro golo, mas há que dizer que depois foi ele quem segurou as pontas.

Parece-me que Rúben Semedo perdeu o lugar para Paulo Oliveira, mas o grande problema da defesa continua a estar no lado esquerdo, no entanto como não se esperam presentes nesta reabertura do mercado, só nos resta aguardar pela próxima época e viver com o que temos. Na minha opinião Jefferson é o melhor.

Do outro lado saúda-se o regresso de Ezequiel Schelotto, porque está visto que Ricardo Esgaio não tem estaleca para o lugar.

No meio campo William Carvalho não se pode queixar do amarelo que viu, de resto nada a dizer da arbitragem e ainda não vi bem aquele penalti. Agora no Dragão João Palhinha vai ter um teste de fogo.

Com William Carvalho fora de jogo, Jorge Jesus não quis correr riscos e tirou Adrien Silva, o resultado foi o de costume, a equipa afundou-se. Talvez Francisco Geraldes possa ser uma boa alternativa. Vamos ver.

Na frente Alan Ruiz começa a dar um ar da sua graça, e vai ter mesmo de se mexer, porque se facilitar Daniel Podence encosta-o rapidamente a um canto. De uma forma, ou de outra, estou convencido que o miúdo vai jogar muito e ser bastante útil.

Bas Dost e Gelson Martins são aquelas maquinas, até ver insubstituíveis, pelo que assim só resta um lugar para discutir entre os costa-riquenhos, com Bryan Ruiz a subir de forma, enquanto Joel Campbell vai alternando o bom com o razoável.

Venha de lá esse Porto que não convence ninguém.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

E depois do adeus.

A última vez que aqui escrevi foi depois do adeus à Taça da Liga, e daí para cá o Sporting já jogou mais quatro vezes, que serviram para também dizer adeus à Taça de Portugal e para que a equipa se afundasse ainda mais no 4º lugar do campeonato, agora a 10 pontos do líder.

Primeiro o Sporting ganhou por 2-1 ao Feirense, num jogo em que depois de uma boa 1ª parte a equipa arrastou-se pelo campo, valendo a debilidade do rival e sobrando apenas as boas indicações dadas por Alan Ruiz, que finalmente mostrou o seu talento, embora por pouco tempo.

Seguiu-se a dupla jornada de Chaves, onde no primeiro jogo o Sporting teve uma 1ª parte miserável, mas lá conseguiu dar a volta, até que um tal de Fábio Martins tirou um coelho da cartola, numa jornada onde o Sporting estava obrigado a aproveitar a escorregadela do Benfica, num dia de inspiração de Iuri Medeiros.

Este empate deixou marcas no balneário, onde ao que parece Bruno de Carvalho entrou com tudo e partiu muita loiça, de tal forma que no jogo da Taça a equipa pareceu um monte de cacos e quando Bryan Ruiz se lembrou de fazer aquele passe disparatado que acabou por abrir caminho para o golo que decidiu a eliminatória, já ninguém se admirou.

A equipa tinha batido no fundo, mas ainda faltava ir à Madeira onde as coisas não podiam ter começado pior, com Rui Patrício a cometer um erro de principiante, e como se não bastasse o guardião leonino reincidiu no disparate e também não ficou bem na fotografia do 2º golo do Marítimo.

Na 2ª parte o Sporting melhorou e deu a volta ao resultado, mas o fiscal de linha não deixou que a vitória voltasse a sorrir aos Leões. Também já ninguém se admira.

No final Jorge Jesus falou em reformular objectivos, depois do Presidente já ter anunciado o emagrecimento do plantel. A época está perdida, é hora de pensar na próxima e corrigir os grandes erros desta, que ainda não acabou. Mas isso fica para a próxima.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Adeus taça ridicula

Desde o dia 21 de Março de 2009 que a Taça da Liga está amaldiçoada, altura em que passou a ser conhecida como a taça lucílio batista e de lá para cá esta competição nunca mais ganhou credibilidade, pelo que o que aconteceu ontem foi apenas mais um episódio para a conta perdida das palhaçadas que marcam a sua triste história.

Ontem tal como em 2009, foi um fiscal de linha a inventar um penalti que decidiu o jogo, com a complacência do seu chefe de equipa, que apesar de melhor colocado não hesitou em validar a indicação do seu colega, sendo que a única diferença é que um era o Ferrari de Setúbal, o outro é do Porto, mas deve ser da mesma cor.

Nunca fui árbitro, mas imagino as dificuldades inerentes à função, daí que até aceite alguns erros, no entanto quando é sempre para o mesmo lado a coisa muda de figura. O trio de artistas que esteve ontem em Setúbal deu um verdadeiro festival de mal arbitrar e foi um fartote de asneiras, desde foras de jogo mal marcados, passando por cantos transformados em pontapés de baliza, até aos vários livres perigosos por marcar, culminando com aquele penalti fantasma, mas tudo para o mesmo lado. Quando é assim cheira a mais do que incompetência.

E pronto o Sporting está arrumado da Taça da Liga pelo ridículo critério da média de idades dos jogadores utilizados, sendo de referir que se os critérios de desempate tivessem alguma lógica, como por exemplo o confronto directo, o Vitória teria sido apurado na mesma, o que não invalida a patetice que é este regulamento, digno da prova em causa.

Independentemente de toda esta polémica causada por um trio de ineptos, a verdade é que o Sporting jogou pouco, principalmente na 1ª parte, onde Jorge Jesus resolveu dar descanso aos melhores jogadores da sua equipa, acabando por ter de recorrer a eles para recuperar da desvantagem, perante um Vitória de Setúbal que nunca se encolheu.

A 2ª parte foi um pouco diferente e depois do empate o Sporting teve tudo para resolver a questão, mas tal como os três tarolas do apito e das bandeirinhas, André falhou escandalosamente, isto sem esquecer o magro resultado obtido com o Varzim, num jogo onde era obrigatório jogar e marcar mais.

Ou seja o Sporting pôs-se a jeito e eles aproveitaram. Vai ser uma alegria na fase final da taça lucílio batista.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Soube a pouco

A ver o campeonato por um fio, ou talvez mesmo por um canudo, Jorge Jesus olhou para a Taça da Liga com mais cuidado e deixou de lado as teorias da rotatividade, escolhendo um onze que não andará muito longe de ser o melhor que tinha disponível. A excepção terá sido Luc Castaignos, porque de resto até a opção por Bruno César para o lado esquerdo da defesa, não é de estranhar num jogo como este.

Apesar disso a exibição do Sporting não foi brilhante. Muita posse de bola, várias oportunidades, mas poucos golos, com alguns jogadores a passarem ao lado do jogo, valendo um endiabrado Gelson Martins para garantir uma vitória curta para tanto caudal de ataque, perante um Varzim bem organizado e lutador, mas pouco mais do que inofensivo.

Com este resultado o Sporting fica mais perto da fase final desta competição, mas o jogo de Setúbal vai ter de ser levado a sério para que a coisa não se complique.