quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Caem as máscaras


Segundo os relatos transcritos pelo jornal Record, no passado domingo no final do jogo do Estádio da Luz, o presidente do Benfica ter-se-á dirigido a João Ferreira, vice presidente do Conselho de Arbitragem e ao observador de serviço, nos seguintes termos: "É uma vergonha... Como é que nomeiam este tipo?"
Por outro lado foi visível que ainda no relvado, Rui Vitória também questionou o arbitro Manuel Oliveira e ao que parece ter-lhe-à perguntado: "Ó Manel tens alguma coisa contra mim?", isto para além de no final do jogo ter afirmado: "Não fomos eficazes, mas o árbitro também não foi. Repetiu o que tinha feito na última época. Repetiu a exibição e, resumindo, deu empate. Fundamentalmente na segunda parte houve decisões que na minha opinião não foram bem tomadas. Não é nenhum lance em concreto, mas quem anda no futebol percebe. Uma ou outra situação condicionou o jogo. Não foi uma arbitragem bem conseguida, Quando os jogadores falham, prejudicam-nos. Quando os árbitros erram, prejudicam uma das equipas"
Se dúvidas houvessem agora está confirmado, Luís Filipe Vieira estava habituado a escolher os árbitros para os jogos do Benfica. De resto basta passar uma vista de olhos pelas nomeações da época passada e percebe-se que andavam sempre à volta de uma dúzia de nomes muito convenientes.
Quanto às declarações do treinador do Benfica, elas apenas fizeram cair a máscara do menino bem comportado que enquanto teve a barriga cheia sob a protecção das nomeações amigas, pôde cantar alto a sua superioridade em termos de comportamentos, mas agora bastou um simples empate para desatar a bater no árbitro.
O mais incrível é que tudo isto se passou depois de um jogo onde o Benfica nem tem grandes razões de queixa. É verdade que este Manuel Oliveira é muito fraquinho, mas pelo que vi o maior prejudicado até foi o Vitória de Setúbal, pois o Nelson Semedo deveria ter sido expulso ainda na 1ª parte. Agora imaginem quando eles tiverem mesmo razões para se queixarem.
Entretanto o Presidente do Sporting veio a terreiro elogiar o comportamento das arbitragens neste arranque de época, saudando também as mudanças nos critérios das nomeações. Ele lá saberá o que diz, mas a mim pareceu-me que se precipitou. Mais dia, menos dia, a fava vai calhar ao Sporting e aí quando ele reagir vão-lhe cair todos em cima na cobrança destas declarações. Nestas coisas a prudência diz-nos que o melhor mesmo é estar calado e esperar pela pancada. Oxalá ela não venha já no próximo domingo.

domingo, 21 de agosto de 2016

Sob a batuta do Capitão

O Sporting ganhou tangencialmente em Paços de Ferreira, num jogo onde foram notórias as melhorias da equipa, mesmo já sem João Mário, que na minha opinião é de entre todos aqueles de quem se fala que podem ser vendidos, o que menos falta fará à equipa e que mais facilmente será substituído.

Com Islam Slimani de regresso ao onze, Alan Ruiz jogou naquele que é o seu lugar e o ataque ganhou em agressividade, mas esta dupla ainda não está afinada, porque se estivesse a vitória tinha sido seguramente mais tranquila.

Estas novelas das transferências acabam sempre por mexer com os jogadores pelo que é natural que o argelino esteja ansioso, enquanto o argentino ainda está à procura de entrar no andamento da equipa. Mostra pormenores de qualidade, mas joga muito devagar.

Onde se notou maior evolução foi no processo defensivo, de tal forma que o Paços não teve uma verdadeira oportunidade de golo e Rui Patrício desta vez não fez uma só defesa digna de destaque.

Sebastián Coates apareceu finalmente em bom plano e teve mesmo um corte decisivo no lance mais perigoso do Paços de Ferreira, pelo que com o seu patrão em pleno, tudo se torna mais simples lá atrás na defesa.

No meio é que esteve a virtude com a dupla William Carvalho/Adrien Silva em grande plano, principalmente o Capitão, que continua jogo após jogo a mostrar ser um jogador enorme. Felizmente que ninguém dá por ele e eu só espero que o mercado feche antes alguém acorde, porque este sim seria muito difícil de substituir.

Depois de um inicio atrevido dos paçenses o Sporting assumiu o comando do jogo e o golo do Capitão marcado em cima do intervalo foi mais do que justo.

Na 2ª parte o domínio do Sporting intensificou-se, mas faltou matar o jogo.

Depois com o passar do tempo o Paços de Ferreira tentou subir no terreno e o Sporting baixou o ritmo, mas não se pode dizer que tenha sofrido para segurar a vantagem, embora controlar um jogo com um resultado tangencial seja sempre um risco.

E pronto o Sporting ultrapassou estas duas jornadas a coberto dos danos colaterais que podiam resultar da instabilidade do mercado que continua aberto para gáudio dos comissionistas, enquanto os clubes estranhamente nada fazem para mudar esta situação.

Venha o Porto e o fecho do mercado para finalmente toda a gente se focar na equipa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Um arranque relativamente tranquilo

O Sporting começou o Campeonato com uma vitória por 2-0 sobre o Marítimo, num jogo onde Jorge Jesus apresentou um onze com algumas surpresas, em parte resultantes das prestações pouco convincentes da dupla Ruiz/Ruiz que o treinador ensaiou nos últimos jogos da pré época, havendo ainda a registar a titularidade de João Pereira no lado direito da defesa.

Sem Islam SlimaniAlan Ruiz jogou sozinho na frente com João Mário a ser uma espécie de 10, enquanto Gelson Martins assumiu a titularidade no lado direito e Bryan Ruiz voltou ao lugar que foi seu na temporada passada, com evidentes ganhos para ele e para a equipa.

Com um meio campo de grande qualidade superiormente comandado por Adrien Silva, o Sporting assumiu o comando do jogo e foi a equipa mandona que nos habitou em 2015/16, mas defensivamente cometeu erros pouco habituais, de tal forma que o Marítimo até teve as duas melhores oportunidades de golo da 1ª parte. Valeu então ao Sporting o facto de ter um dos melhores guarda-redes do mundo e muita sorte naquela bola que bateu na barra e fugiu do jogador madeirense que se aprestava para a recarga.

Mas fora isso a 1ª parte foi toda do Sporting e o golo de Sebastián Coates fez justiça ao que se tinha passado em campo, mesmo que tenha sido notória a falta de um homem na área e a inadaptação de Alan Ruiz ao posto de ponta de lança.

Depois do intervalo o Sporting regressou ainda mais forte e, fez 15 minutos de grande intensidade até ao golo de Bryan Ruiz que matou o jogo, embora no último quarto de hora os Leões tenham perdido o controlo de jogo, que no entanto já estava num ritmo de inicio de época, pelo que o Marítimo nunca mostrou ter capacidade para pôr em causa a vitória do Sporting.

No fim percebeu-se que aquela defesa ainda está longe da afinação que se exige a um candidato ao título, daí que eu comece a entender o porquê de tantos rumores de novas contratações e principalmente ficou demonstrado que precisamos de pelo menos mais dois avançados, pois pelo menos por agora Alan Ruiz está longe de me convencer.

Valeu que este Marítimo também está longe de ser uma equipa pronta para outros voos, pelo que mesmo com as limitações presentes do Sporting, foi possível uma vitória relativamente fácil e tranquila.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Os últimos ensaios


O Sporting disputou mais dois jogos no encerramento desta pré temporada, perdendo com o Bétis por 3-2 e empatando a zero com o Nice, confrontos que Jorge Jesus aproveitou para fazer os últimos testes e principalmente para ensaiar a dupla de avançados que deverá actuar na 1ª jornada do Campeonato, formada por Alan Ruiz e Bryan Ruiz, que estiveram longe de convercer.

No primeiro jogo o Sporting começou bem, mas o Bétis conseguiu dar a volta ao marcador sem ter feito muito por isso. Depois vieram as substituições do costume e o jogo perdeu algum interesse.

Com os franceses, Jorge Jesus começou com a equipa que previsivelmente irá iniciar o Campeonato, embora tenha voltado a fazer muitas substituições na 2ª parte. No geral o Sporting controlou sempre o jogo, mas a equipa está longe da afinação que se exige à beira do primeiro jogo oficial da temporada.

Eu sei que o mercado dos avançados é muito caro e complicado, mas é inadmissível que o segundo avançado ainda não tenha sido contratado, de tal forma que Jesus foi forçado a inventar esta dupla Ruiz/Ruiz e Hernán Barcos apesar de estar de malas aviadas, provavelmente ainda vai jogar contra o Marítimo.

Por outro lado na defesa Sebastián Coates continua a gasóleo, enquanto Rúben Semedo ainda tem muito que aprender. Sinceramente continuo sem perceber porque é que se se aposta a sério no Tobias, que tem  mostrado todo o seu valor nos Jogos Olímpicos. Uma coisa é certa, esta defesa está longe daquilo que fez na temporada passada, de tal forma que mesmo com 5 centrais no plantel, ainda se fala na entrada de mais um.

A grande dúvida de  Jorge Jesus deve ser o lado esquerdo da defesa, onde Marvin Zeegelaar e Jefferson discutem taco a taco um lugar. O brasileiro que tinha estado mal com o Wolfsburgo, marcou pontos nestes dois últimos jogos e parece levar vantagem nesta altura.

No meio campo não há grandes dúvidas, pelo menos se não sair ninguém. Bruno César está a aproveitar o adiantamento de Bryan Ruiz para ganhar o lugar no lado esquerdo, mas Marcelo Meli chegou com ritmo de jogo e parece ser um bom reforço, enquanto Radosav Petrovic também está a melhorar.

Enfim a construção desta equipa ainda parece estar muito atrasada, vamos a ver se o que há é suficientes para os primeiros jogos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A equipa do ano passado

O Sporting voltou a ganhar o Troféu Cinco Violino ao derrotar o Wolfsburgo, num jogo onde Jorge Jesus apresentou praticamente o seu onze base da temporada passada, isto se exceptuarmos Teo Gutierrez, que está ausente nos Jogos Olímpicos.

Com os campeões europeus de volta e Islam Slimani de regresso à titularidade, as diferenças em relação aos jogos anteriores foram notórias, sendo de realçar as excelentes exibições de William Carvalho e Adrien Silva, que já se apresentaram numa forma apreciável.

Assim na 1ª parte o Sporting dominou por inteiro as operações e chegou ao 2-0 com naturalidade, embora a adaptação de Bryan Ruiz à posição de segundo avançado não tenha corrido muito bem. De resto já se viu que o costariquenho leva algum tempo até atingir a sua melhor forma e tem passado um pouco ao lado das boas exibições que protagonizou na época passada.

Na 2ª parte Jorge Jesus fez 10 substituições e a equipa caiu a pique, valendo então um grande Rui Patrício para segurar uma vitória que não foi fácil, principalmente porque Jefferson foi um autêntico buraco no lado esquerdo da defesa, mas também porque o potencial dos jogadores que foram entrando não é o mesmo dos que foram saindo.

No final Jorge Jesus referiu-se a Daniel Podence como um jogador que se excede por ás vezes querer fazer coisas do outro mundo, tresandando confiança nas suas capacidades, enquanto há outros que ainda estão a entrar a medo na equipa, sendo o caso de Iuri Medeiros o mais notório. O faialense tem um pé esquerdo prodigioso mas tem revelado muita ansiedade, vamos a ver se Jesus consegue tirar o melhor que há nele.

Restam mais dois jogos para que o treinador possa ainda fazer algumas experiências, mas a equipa base está feita, embora no ataque ainda faltem soluções, isto já para não falar no mercado que ainda vai estar aberto mais quatro semanas para gáudio dos comissionistas. Um disparate.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A melhorar

Depois do estágio na Suiça, o Sporting voltou a entrar em acção, primeiro no jogo de apresentação ao sócios com o Lion e depois no Troféu Ibérico frente ao Vilarreal, dois confrontos onde foi possível verificar uma substancial melhoria na produção da equipa, como de resto não podia deixar de ser.

No entanto continuam à vista alguns problemas que urge resolver, logo a começar pela falta de golos, mesmo que os postes tenham sido o alvo preferido dos avançados leoninos nestes dois jogos.

Jorge Jesus afirmou que tem dado mais minutos a Hernán Barcos do que a Islam Slimani, porque este vai ter de cumprir castigo na 1ª jornada do campeonato, mas o argentino continua sem acertar na baliza, enquanto o argelino parece estar ainda com a cabeça às voltas, depois dos constantes rumores que o colocam noutras ligas mais competitivas.

Com Lukas Spalvis lesionado e Teo Gutierrez na porta de saída, as expectativas voltam-se para Alan Ruiz, um jogador que por enquanto ainda não me impressionou e assim parece-me mais do que evidente que a contratação de um bom avançado é a prioridade nesta altura, pese embora as boas indicações de Daniel Podence, um jogador que no entanto tem muito que aprender.

Nas alas Iuri Medeiros mostrou bons pormenores, mas é um jogador muito intermitente, não sei se vai conseguir satisfazer as exigências de Jorge Jesus, isto num ano que me parece poder ser o da afirmação de Gelson Martins.

No meio campo aguarda-se pelo regresso dos campeões europeus, mas pelo menos João Mário também já está a ser cercado pelos comissionistas do costume. Vamos a ver como reage. Para já Jorge Jesus experimentou Bruno César no meio, e com resultados aceitáveis, pelo menos comparando com o que se viu de Bryan Ruiz.

O jovem João Palhinha deu boas indicações e marcou pontos, pelo menos em relação a um decepcionante Radosav Petrovic, mas com William Carvalho de regresso, a posição 6 tem dono, tal como a 8 será de Adrien Silva, mesmo que já se fale de mais um argentino.

Na defesa Sebastián Coates foi um dos jogadores em que mais se notaram progressos em termos de forma, enquanto Ezequiel Schelotto é talvez aquele que já esteja mais próximo do seu normal. Mas do lado contrário estão os candidatos à posição de lateral esquerdo, que continuam muito longe do seu melhor.

Azbe Jug que tinha tido algumas prestações assustadoras, esteve muito bem em Badajoz, mas a contratação de mais um guarda redes continua a ser urgente.

Segue-se o Troféu Cinco Violinos, mas enquanto o mercado não fecha o treinador não poderá ter garantias sobre quais os jogadores com que vai contar e há posições que precisam de ser reforçadas já, porque o campeonato já está aí à porta.

terça-feira, 19 de julho de 2016

As primeiras impressões

O estágio do Sporting na Suiça terminou com um balanço negativo, que se saldou numa vitória perante o modesto Nyon e três derrotas, a última das quais bastante pesada.

É verdade que os adversários escolhidos foram equipas fortes e já com outro andamento e, que os quatro jogadores Campeões da Europa ainda estão de férias, mas a imagem deixada foi muito pobre e decepcionante.

No entanto estes jogos serviram pelo menos para se tirarem algumas ilações que poderão ser muito úteis para o futuro próximo, das quais eu destacaria as seguintes:

*É evidente que a segunda linha do Sporting continua muito pobre, sendo a posição de guarda redes o exemplo mais flagrante disso mesmo. Azbe Jug e Vladimir Stojkovic "frangaram" à grande, pelo que se impõe a contratação de um guardião com experiência e qualidade para ser alternativa a Rui Patrício. Convém prevenir situações como a que aconteceu na época passada no jogo com o Tondela.

*Há jogadores que fisicamente estão muito longe do seu melhor, sendo o caso de Sebastián Coates o mais gritante. Talvez por ser muito pesado, o central uruguaio ainda nem a gasóleo consegue andar. Mas há mais, pelo nesse capitulo há muito trabalho a fazer, embora se compreenda que nesta fase o andamento ainda não seja o ideal.

*A política de aquisições continua a deixar algo a desejar. É óbvio que sem dinheiro não há palhaços, mas as primeiras impressões deixadas por Radosav PetrovicAlan Ruiz e Lukas Spalvis não são muito entusiasmantes. O médio sérvio é um jogador possante, mas para já não mostrou mais do que isso. O argentino tem bons pés, mas não sei se terá andamento para o nosso futebol. E o avançado lituano no pouco que jogou foi uma decepção.

*Da época passada sobram jogadores que pouco ou nada acrescentaram, como Alberto Aquilani uma vedeta que veio à procura de uma reforma dourada em Portugal, Naldo o central que continua a chegar sempre atrasado, ou Teo Gutierrez um artista com um reportório que em nada o abona em termos de carácter e profissionalismo, isto já para não falar em Hernán Barcos que por agora ainda tem o beneficio da dúvida e de Ewerton que continua a bater todos os recordes de lesões por minuto.

*Sem Adrien Silva, que na minha opinião foi o jogador chave da temporada anterior, Jorge Jesus resolveu transformar Bryan Ruiz num 8, coisa que até prova em contrário não tem pernas para andar. Assim ficámos com menos um jogador.

*Para já parece óbvio que esta equipa precisa de um guarda redes suplente e de mais um bom avançado, embora aqui me pareça que devemos contar com Daniel Podence, uma das poucas coisas boas deste estágio. O rapaz tem tudo para chegar lá. É rápido, inteligente, eficaz e não pára um segundo, mas principalmente nota-se que tem um espírito diferente, uma grande ambição e muita confiança nas suas capacidades.

Em Maio de 2009 fui à Academia ver um jogo de Iniciados de 1º ano e foi nessa altura que escrevi aqui o seguinte:

Mesmo assim posso relatar as minhas primeiras impressões sobre algumas das pérolas da nossa Academia, começando por destacar o pequeno extremo direito Daniel Podense, que apesar de ser um minorca tem muita raça, e uma técnica apreciável. Se ganhar cabedal poderá vir a ser um jogador interessante.

Bom, o rapaz cresceu pouco em altura, mas o meu olho não se enganou, ele era o mais pequeno daquela equipa, mas o melhor de todos.

Nota máxima para o apoio constante da parte dos sportinguistas da Suíça, pena que os jogadores não tenham sido capazes de retribuírem na mesma medida. Se assim tivesse acontecido, tinha sido o Sporting a golear.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O toque de Ronaldo

Parece mentira mas é verdade, Portugal ganhou o Campeonato da Europa de Futebol!

Ninguém acreditaria se há dois anos atrás, depois daquela derrota em casa com a Albânia, alguém se atrevesse a dizer que Portugal iria conquistar este título e, muito menos seria possível acreditar que tal aconteceria depois de três empates na fase de grupos, frente a selecções modestas, e que nas meias finais defrontaríamos o País de Gales, naquela que seria a nossa única vitória nos 90 minutos, que nos levaria ao confronto final com a França, onde iríamos ficar sem Cristiano Ronaldo logo no início de um jogo que acabaríamos por ganhar no prolongamento, com um golo de Éder, imagine-se.

Pois é, contado ninguém acredita, mas eu vou tentar contar como foi.

Estava o jogo a começar de uma forma animada, já com uma ocasião de perigo para cada lado, a primeira quando Nani em excelente posição atirou muito por cima e, a segunda na sequência de uma escorregadela de Pepe que obrigou Rui Patrício à primeira de uma serie de grandes defesas, que o transformaram num dos heróis desta Final, quando Payet arrumou Cristiano Ronaldo com uma entrada despropositada, que o arbitro nem falta considerou, dando o mote para uma actuação marcada por uma clara dualidade de critérios, principalmente no capitulo disciplinar.

O melhor jogador do mundo ainda tentou continuar em campo, mas não conseguiu e, de uma assentada Portugal ficou sem Cristiano Ronaldo e sem Nani, porque se o primeiro sente algumas dificuldades quando joga sozinho na frente, o segundo pura e simplesmente não tem características para o fazer, pelo que a partir dali praticamente não tocou mais na bola, de tal forma que Portugal quando era obrigado a jogar longo, não fazia mais do que dar a bola aos franceses.

Sem o seu Capitão percebeu-se que o principal objectivo agora era aguentar. Portugal defendia bem e quando a França conseguia entrar estava lá um enorme Rui Patrício, que por volta dos 35 minutos voltou a fazer uma boa defesa a um remate forte de Sissoko.

O intervalo chegava com zero a zero, apesar da França ter dominado o jogo no meio campo, onde Adrien Silva esteve muito abaixo daquilo que é habitual, em parte por ter sido obrigado a uma luta desigual com a fortíssima dupla formada por Pogba e Matuidi, uma situação que melhorou quando Renato Sanches passou para o meio, mas as jogadas de perigo nas áreas tinham sido uma raridade.

Na 2ª parte Portugal conseguiu controlar melhor o meio campo, mas a França continuou a ter algum ascendente, principalmente depois da entrada de Coman. Pouco depois Griezmann falhou uma boa oportunidade, enquanto Rui Patrício voltou a brilhar, negando o golo, primeiro a Giroud e depois a Sissoko, com mais duas grandes defesas.

Fernando Santos que levou quase uma hora até perceber que com Nani no meio, Portugal nem conseguia chegar perto da área francesa e lá resolveu meter o Éder, pois não havia outro. Perspectivava-se que continuássemos a jogar com menos um, mas o avançado do Lille pelo menos podia dar alguma luta ali na frente. O que ninguém podia calcular é que aquela substituição tardia, iria ser decisiva e que o treinador ao dar um sinal de ambição à sua equipa, estava a ganhar o jogo ali.

Estávamos no período de compensação quando comecei a acreditar que Portugal ia mesmo ganhar. Gignac fez o que quis de Pepe e desta vez Rui Patrício não conseguiu defender, mas a bola foi milagrosamente ao poste e não entrou. definitivamente era o nosso dia, nem que fosse nos penaltis.

Veio o prolongamento. A França parecia mais desgastada do que Portugal, que com Éder na frente começava a ameaçar. Na mudança de campo acontece o momento decisivo, com Cristiano Ronaldo a dar o toque de Midas a Éder. Bom, para dizer a verdade foi o toque de Ronaldo, sim porque aquele pontapé de fora da área só pode ter sido uma inspiração do Capitão e, no fim do jogo eles confirmaram, foi Cristiano Ronaldo quem mandou Éder ganhar aquele jogo, uma vez que ele fora impedido de o fazer.

Antes Guerreiro ainda atirou à barra, mas felizmente Cristiano Ronaldo não deu nenhum toque no Raphael e essa não entrou, isto porque a falta que esteve na origem desse livre era ao contrário e eu não gosto de ganhar dessa maneira, embora esteja farto de perder assim e os franceses até merecessem uma derrota dessas, mas nunca mais se iam calar.

E pronto, somos Campeões da Europa. Fernando Santos é um génio da táctica. Cristiano Ronaldo é o melhor futebolista lesionado do mundo e até foi aplaudido pelos franceses quando saiu. Renato Sanches é o melhor jogador jovem do mundo e arredores. Éder é um enorme ponta de lança. Rui Patrício  afinal até é um grande guarda-redes. E a Torre Eiffel ficou às escura e fechou para balanço.

Por cá ficámos todos contentes, mesmo que os simões desta vida tenham sido forçados a engolir em seco, enquanto a campanha em favor dos microfones desprotegidos ficou esquecida pelo menos durante algumas semanas.

Viva Portugal e vivam os "Aurélios"!

domingo, 10 de julho de 2016

A caminho de Paris

E pronto, Portugal está na Final do Euro 2016. Os portugueses assistiram do lado de fora aos confrontos entre os tubarões do futebol europeu, que se foram degolando uns aos outros e ultrapassaram tranquilamente o País de Gales, naquele que para Portugal foi o jogo mais fácil da competição.

Os galeses são claramente inferiores aos polacos, e em relação à Croácia nem se fala, pelo que este percurso frente a rivais de valor decrescente foi bastante favorável a Portugal, apagando o futebol tristonho à imagem do seleccionador nacional, que acaba por sair como o grande vencedor desta campanha.

Fernando Santos soube fazer algumas alterações que eram fundamentais e mesmo insistindo num futebol demasiadamente cauteloso, que quase anula o seu melhor jogador, o seleccionador nacional lá conseguiu concretizar a sua promessa de ficar até ao último dia da competição, sendo que na minha opinião a entrada de Adrien Silva na equipa, foi fundamental para o equilíbrio da mesma e a mais determinante de todas as mexidas feitas.

Mas mesmo assim foi Cristiano Ronaldo quem marcou a diferença e foi ele a desbloquear as meias finais, um jogo que estava morno, e que em três minutos ficou resolvido, graças ao poder atlético impressionante deste enorme jogador, que não pára de ultrapassar os seus limites, calando os patetas que continuam à espera de uma coisinha qualquer para mostrarem a sua azia com os feitos do melhor futebolista português de todos os tempos.

Cristiano Ronaldo sente que este é o momento que tanto desejou e quer elevar-se a um patamar ainda mais alto, sonhando levar Portugal a uma grande vitória num torneio internacional, algo que o colocaria a um nível que provavelmente só ele acreditaria ser possível de atingir, e talvez só comparável com o que Maradona fez em 1986. Para isso Cristiano Ronaldo parece disposto a tudo e, é vê-lo a correr atrás da bola como nunca, isolado lá na frente, à espera que a bola lá chegue, ou vindo cá atrás recuperá-la e ajudar a defender.

Agora chegou a altura de ajustar contas com a França. A favor de Portugal joga a tranquilidade de não estar obrigado a ganhar. A festa está preparada, mas quem tem Cristiano Ronaldo pode sonhar em estragá-la.



segunda-feira, 4 de julho de 2016

Foram a penaltis.

Portugal eliminou a Polónia e desta vez não se pode dizer que não tenha justificado a passagem às meias finais, ou que tenha sido só sorte, pois a equipa até sofreu um golo a frio, num lance em que Cédric Soares calculou mal a batida da bola. 

Depois a Selecção Nacional andou um bocado à nora, mas lá acabou por empatar e foi a única equipa que quis ganhar o jogo, mas sempre sem correr grandes riscos. No fim valeu Rui Patrício, que como de costume não foi devidamente valorizado.

Curiosas foram as substituições de Fernando Santos que pareceu estar cheio de medo.... do árbitro, tirando os jogadores que tinham cartões amarelos, não fosse o diabo tecê-las. Lá teria as suas razões e a verdade é que o alemão fez vista grossa a um penalti do tamanho do mundo.

Portugal jogou finalmente com a equipa que me parece ser a melhor, isto se exceptuarmos o Eliseu, que substituiu o lesionado Raphael Guerreiro e não há duvida que com aquele meio campo é outra coisa e o próprio Cédric Soares mostrou merecer a titularidade, não se deixando afectar pelo erro inicial. No entanto a filosofia de jogo continua a ser a cara de Fernando Santos, que com sorte ou sem ela lá vai levando a água ao seu moinho.

Segue-se o País de Gales que não me parece tão forte como a Polónia e muito menos do que a Croácia, pelo que com um calendário destes só temos de exigir uma presença na Final, no entanto é preciso não esquecer as tradicionais dificuldades que Portugal costuma ter com os rivais mais fracos, em parte resultantes de um certo facilitismo, mas como estamos a falar de uma meia final do Campeonato da Europa, acredito que desta vez não vai haver tempo para brincadeiras, até porque está na hora de ganhar um jogo de forma convincente.