Respirar fundo


O Sporting ganhou em Braga num jogo em que Rui Borges fez algumas alterações táticas, potenciadas pelo "vírus FIFA" que limitou a utilização dos jogadores sul-americanos, que chegaram em cima da hora do embarque para a capital do Minho.

O treinador leonino, provavelmente terá sido influenciado pelas notícias das boas exibições de Issa Doumbia ao serviço de Itália, atuando numa posição mais próxima dos avançados e de Nestory Irankunda, que na Austrália jogou como extremo puro, pelo que resolveu apostar num 4x3x3, com um triângulo no meio-campo, em que o italiano jogou ao lado de Silas Andersen, que não aproveitou a oportunidade e dois extremos abertos no apoio a um ponta de lança muito móvel.

Os resultados não foram brilhantes, pois a equipa não está trabalhada para este modelo de jogo, mas mesmo assim a 1ª parte foi equilibrada, acabando a diferença por ser estabelecida por uma questão de sorte, pois enquanto aos 23 minutos a bola ressaltou num defesa do Braga, bateu na barra e não entrou, aos 41 num remate que foi ao poste, a bola bateu nas costas de Rui Silva e espetou-se na baliza.

Impunha-se que Rui Borges mexesse na equipa e eu até pensei que ele não o tinha feito logo no recomeço por indicação da nossa famosa "unidade de performance", mas na conferência de imprensa ele disse que não havia nada definido em termos de minutos de utilização para os sul-americanos, pelo que tenho de dizer que mais uma vez as substituições foram tardias, o que poderia ter sido fatal, pois no início da 2ª parte o 2-0 esteve à vista mais do que uma vez, valendo que este Braga não me pareceu grande coisa e que desta vez a "morte do VAR" esteve a nosso favor.

Depois entraram as motas pesadas e tudo foi diferente. A equipa voltou ao modelo de jogo em que está trabalhada, com Issa Doumbia a recuar para o lugar onde me parece que pode render mais e Rodrigo Zalazar a entrar para ser o detonador que faltava, pelo que até foi mais fácil do que se esperava.

Com esta vitória Rui Borges ganhou mais uma vida, mas parece-me evidente que o "moto-tasca" tem menos talento do que o "tiki-taska" e não vai encontrar muitas vezes tanto espaço quanto o que teve em Braga. O que melhorou foi a defesa, com um Eduardo Quaresma em modo sem inventar, embora o Sergi Altimira tenha estado abaixo do que vinha fazendo ultimamente.

Resta saber como é que a equipa se vai safar e evoluir no ciclo que agora se iniciou, em que alternará jogos fundamentais para somar pontos na Liga dos Campeões, com confrontos internos frente a adversários do nível daqueles com que já desperdiçou 6 pontos. Para já, respirou-se fundo.

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