Um empate estranho



No futebol, às vezes acontecem coisas estranhas, e sábado em Alvalade aconteceram várias que estiveram na origem deste estranho empate.

Tudo começou com uma estranha opção de Rui Borges, que resolveu deixar de fora Flávio Gonçalves para dar uma oportunidade a Nestory Irankunda. Com dois extremos, a linha avançada ficou mais larga, mas faltava talento e o índice de passes falhados no último terço cresceu, de tal forma que Geny Catamo subiu à condição de jogador mais talentoso desse sector, o que diz tudo sobre o novo Sporting. Mas, mesmo assim, deu para estar a ganhar por 2-0 ao intervalo.

A 2ª parte até começou bem e tudo parecia resolvido, até que começaram a acontecer as tais coisas estranhas, logo a começar por uma paragem cerebral de Zeno Debast, com aquela entrada sem qualquer necessidade, num lance que, no entanto, aposto que na Luz ou no Dragão nunca daria lugar a um cartão vermelho.

Pior do que este disparate do belga foi a entrada de Eduardo Quaresma, que teima em repetir os mesmos erros jogo após jogo, sem que, aparentemente, ninguém lhe explique que ali atrás não se pode brincar aos "beckenbaueres".

Nas declarações finais, Rui Borges disse que houve um jogo antes e outro depois da expulsão. O que ele não foi capaz de explicar foi por que é que a equipa se deixou encostar lá atrás, passando a jogar em 5x3x1, que na realidade era 5x3x0, pois Luis Suárez estava morto e só ressuscitou quando foi para o banco fazer o papel que cabia ao treinador.

Antes já tínhamos assistido a outra ressurreição, quando o VAR conseguiu descobrir um pénalti daqueles que só se vê na televisão. Afinal, temos VAR.

O resto foi o de costume. Pinheiros para dentro e bola para o barulho, que o golo é garantido.

Com um guarda-redes que não sabe sair a cruzamento e é muito fraco no jogo de pés, uma defesa que entra em pânico sempre que a bola sobrevoa a sua zona, uma linha de ataque com muitas motas e pouco talento, resta o Sergi Altimira que afinal até foi a melhor contratação da época e um Luis Suárez que mesmo amuado, revoltado, avariado, ou outra coisa qualquer acabada em ado, lá vai marcando uns golos que disfarçam, mas não chegam.

Perante isto, as bancadas já não veem o treinador e este já não vê os jornalistas, escondendo-se na autovitimização do bom rapaz de Mirandela, que também já enjoa, pelo que não se adivinham tempos fáceis para os lados de Alvalade.


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