A bola já rolou


Sou apaixonado pelo futebol desde que me lembro de existir, pelo que já há muito tempo que aprendi que não se ganha sempre e, sendo Sportinguista, até me habituei a sofrer, mas confesso que a derrota com o Torreense me abalou e ainda não consegui encontrar explicação para aquela exibição tão apagada, que me fez reviver tempos que pensava que já estivessem ultrapassados.

Mas a vida continua e a bola já voltou a rolar, embora a ferida ainda esteja aberta e a desconfiança instalada, ainda por cima, quando vemos muitos dos melhores jogadores a partir, enquanto Rui Borges passou a ser o alvo mais fácil, pelo que a tolerância para com ele passou a estar perto do zero.

Na terça-feira, no Algarve, o Sporting ganhou por 4-1 ao Celtic no primeiro jogo da pré-temporada, que, como de costume, serviu principalmente para ver os novos jogadores. 

Para já deu para perceber que Rui Borges vai manter o seu sistema de jogo com 4 defesas, sendo que nenhum dos previsíveis titulares esteve disponível, 2 médios e 3 criativos atrás do ponta de lança, sendo que aqui pode haver mais extremos e menos avançados interiores.

A dupla do meio-campo foi formada por duas das contratações e confesso que não gostei nada de Sergi Altimira, que me pareceu um jogador mole, sem intensidade, que joga devagar e para o lado, enquanto Issa Doumbia mostrou ter cabedal para empurrar a equipa para a frente, mas em relação a Hjulmand falta-lhe visão de jogo. Em contrapartida, Silas Andersen pareceu-me bem, mas o facto de vir de um campeonato que está a meio dá-lhe alguma vantagem em termos físicos.

Na frente, a surpresa foi Luís Guilherme que entrou muito bem, enquanto, do outro lado, Jesse Derry mostrou não ter medo, mas temos de perceber que se trata de um jogador que vem dos escalões jovens e de um futebol muito diferente.

Também gostei dos miúdos, principalmente do Flavinho. Se é para deixar sair o Pote e o Trincão, então apostem neste rapaz, que ele vai lá, precisa é de oportunidades.

Eduardo Felicíssimo e o Gabriel Silva também estiveram bem. Estamos a falar de dois jogadores que prometiam tanto quanto o Quenda e mais ainda do que o Flavinho, mas que na época passada estagnaram, pelo que este ano têm de dar o salto, ou perdem o comboio. O primeiro que é um trinco de formação, já tinha dado boas indicações como central numa linha de três, quando jogou assim na Equipa B, e o outro é um ponta de lança muito móvel, estilo Taremi, mas que mostrou algumas dificuldades quando foi chamado a jogar num nível acima, sendo ultrapassado pelo Rafael Nel, que fisicamente deu um grande salto. São dois jogadores que primeiro terão de se afirmar na Equipa B, mas sobre os quais ainda há boas expetativas.

Estou curioso para ver o Rodrigo Zalazar que é um jogador feito, que tanto pode jogar no lugar do Pote, como no do Trincão. Na minha opinião, mais no lado esquerdo do que no meio. Se fizer os mesmos 15 golos que o Pote fez naquela que dizem ter sido a sua pior época, já fico satisfeito.

Uma nota ainda para Daniel Bragança, que, na minha opinião, será sempre um jogador útil, mas neste sistema nunca será um titular, pois falta-lhe intensidade para jogar no meio só com dois, e não tem características para ser o jogador mais próximo do ponta de lança. 

Segunda-feira há mais; vamos a ver se já com alguns dos que agora estão indisponíveis, e por falar nisso, continua a faltar um dos mais importantes e necessários reforços para esta equipa: um departamento médico como deve ser.





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