Esta doeu


Depois da eliminação da Liga dos Campeões, que teve um travo amargo porque se percebeu que com um pouco mais de sorte a surpresa poderia ter acontecido, os deuses da bola voltaram a virar as costas ao Sporting e agora doeu, não só porque a derrota foi frente ao grande rival, mas principalmente porque, desta vez, nem era preciso sorte, bastava que tudo não tivesse corrido ao contrário.

Como era de esperar, Mourinho adotou uma estratégia de contenção, reforçando o meio-campo e jogando normalmente com um bloco baixo, como agora se diz, misturado com algumas tentativas de pressão alta para condicionar a saída de bola do Sporting, que na verdade nunca funcionaram.

Sendo assim e apesar da esperada superioridade do Sporting em todos os índices ofensivos do jogo, não houve muitas oportunidades de golo, mas estes jogos decidem-se nos pormenores, que desta vez caíram sempre para o lado do Benfica.

Foi assim quando Trubin "frangou" e a bola bateu na barra, quando Luis Suárez falhou o penalti, quando o VAR fez uma interpretação manhosa das agora famosas alterações à lei 14, quando a bola foi bater no braço imprudentemente levantado de Hidemasa Morita, quando Pedro Gonçalves acertou no poste, quando um fora de jogo milimétrico roubou ao Sporting uma vitória que teria sido merecida e que para o cumulo acabou numa dolorosa derrota quase na jogada seguinte.

Assim Mourinho saiu como o grande vencedor da noite, o génio que acertou na estratégia e nas substituições, pelo que tivemos de levar com a sua petulância, enquanto Rui Borges ficou debaixo de fogo, porque devia ter mexido mais cedo, o que de certa forma se aceita, principalmente devido ao notório esgotamento de Luis Suárez, que nesta altura é quase menos um.

É a ditadura dos resultados. Bastava que o Rafael Nel tivesse arrancado um segundo mais tarde para que os comentários ao mesmíssimo jogo fossem diametralmente opostos.

No fim, a verdade é que continuam a faltar as mesmas coisas, eficácia, banco e sorte, e agora restam a Taça e a defesa do 2º lugar, para que 2004/05 não se repita. 

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