Anda tudo maluco com o gesto de Luis Suárez no final da 1ª parte do clássico da passada 3ª feira, um assunto sobre o qual tenho lido e ouvido tantos disparates, que chego a pensar que ou são todos tontos, ou querem-nos fazer passar por tal.
Num programa da CNN onde há uma manifesta preocupação em não vestir camisolas na hora dos comentários, o que é algo que eu não posso deixar de aplaudir, especialmente num homem que já anda há tantos anos nisto como é o caso de Rui Santos, foi dito que no final da 1ª parte Alberto Costa e Luis Suárez deviam ter sido expulsos, e aí parece-me que estamos todos de acordo, mas depois conclui-se erradamente que a 2ª parte teria sido disputada com 10 de cada lado.
A ânsia da equidistância não se pode sobrepor à responsabilidade de analisar os acontecimentos com coragem, frontalidade e acima de tudo verdade e se é indesmentível que Alberto Costa e Luis Suárez mereceram ver o cartão vermelho, em nenhuma circunstância os dois teriam sido expulsos, pois se Cláudio Pereira tivesse tido a coragem de mostrar o segundo amarelo ao primeiro, o outro quanto muito ter-se-ia dirigido às câmaras para aplaudir a decisão do árbitro, pelo que na 2ª parte apenas o FC Porto jogaria com menos um homem. Isto da mesma maneira que se o VAR tivesse recomendado a expulsão Luis Suárez, seria o Sporting a ficar em inferioridade numérica, pois o uruguaio só teve a atitude que teve porque o árbitro não expulsou Alberto Costa. Ou seja, em nenhuma circunstância as duas equipas ficariam com 10.
Apesar das muitas horas de conversa que este assunto já gerou parece que ninguém percebeu o que realmente se passou, mas eu explico: Aos 46 minutos Cláudio Pereira mostrou o cartão amarelo a Alberto Costa num lance discutível, sobre o qual Farioli afirmou que nem falta era e que gerou logo muitos protestos do banco portista, 1 minuto depois o mesmo Alberto Costa varreu Geny Catamo numa entrada que ninguém se atreveu a contestar que era passível de ser punida com um segundo amarelo, mas o árbitro borrou-se todo e não teve coragem para expulsar o jogador portista, emendando um pretenso erro, com um erro colossal.
Na sequência de tudo isto, Luis Suárez, revelando uma grande dose de estupidez natural, fez o que todos vimos menos um tal de Manuel Oliveira, que por omissão resolveu corrigir os dois erros anteriores de Cláudio Pereira com um terceiro erro, e vá lá que desta vez ele não se atreveu a repetir o que fez há um ano na Vila das Aves, quando chamou o árbitro para avaliar uma possível expulsão que não fazia o mínimo sentido, de forma a obrigá-lo a mostrar um segundo amarelo a Ousmane Diomande que já devia ter sido expulso na altura em que tinha levado o primeiro cartão, fazendo assim justiça por linhas tortas.
Tal como nesse dia, agora no fim a verdade desportiva acabou por prevalecer, pois o Alberto Costa ficou apenas com um amarelo, isto dando de barato que o primeiro cartão poderia ter ficado no bolso de Cláudio Pereira, o Sporting manteve a posse de bola, embora num canto, em vez de num livre uns metros mais à frente e o jogo prosseguiu com 11 de cada lado, o que lamentavelmente só aconteceu graças à suprema incompetência e falta de coragem de um árbitro sem categoria e de um VAR trapalhão, que foi tão mau com o apito na boca quanto o camarada que agora ajudou, desajudando.
Por incrível que pareça os portistas deram início de imediato às suas tradicionais sessões de tiro ao árbitro e justificam a não amostragem do segundo amarelo a Alberto Costa, com a narrativa de que o primeiro foi mal mostrado, mas depois argumentam que o VAR não pode corrigir um erro com outro erro, para defenderem a expulsão de Luis Suárez, o que nos faria recuar a tempos não muito longínquos como este, em que o prevaricador ficou-se a rir, enquanto o Coates acabou expulso.
É uma questão cultural porque na verdade eles estão habituados a ganhar assim, pois foram 40 anos daquilo, pelo que continuam convencidos de que para ganhar é preciso controlar em primeiro lugar a arbitragem e depois a justiça e a disciplina, daí que já tenha começado a campanha "irradiem o Suaréz", mas os tempos são outros e se não houver nada de extraordinário o uruguaio acabará por apanhar um merecido jogo de castigo, resta saber para cumprir quando, porque nesse aspecto a justiça lenta e tardia é um problema transversal do nosso País, ao qual a área do desporto não escapa.

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