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Depois do caso dos coletes azuis, do desaparecimento dos cones e das bolas, do roubo das toalhas, do ar-condicionado bloqueado e da emissão em loop no balneário do árbitro, aquilo que o Sporting considera ser um "padrão continuado, consciente e sistemático de desrespeito, provocação e tentativa de condicionamento", já chegou ao Andebol.
Muito se tem escrito e falado sobre a situação ocorrida no Dragão Arena, mas o que me espanta é que sistematicamente tenha sido esquecido o fator mais importante de todo este caso, que é sem dúvida o facto do Sporting ter ficado privado de um dos seus jogadores mais importantes no momento defensivo do jogo e do seu treinador, sendo que no Andebol o papel deste é muito mais determinante e interventivo do que, por exemplo, no Futebol.
Para além do facto atrás referido que é indesmentível, também me parece claro que o balneário atribuído ao Sporting não estava nas devidas condições, o que será sempre da responsabilidade dos donos da casa, independentemente das razões que estejam na origem dessa situação, que serão praticamente impossíveis de apurar.
Mesmo que mais tarde o FC Porto tenha disponibilizado outro balneário e que a intensidade do cheiro tenha diminuído rapidamente, a verdade é que foi essa situação que motivou os impedimentos de Ricardo Costa e de Christian Moga, o que só por si deveria ser suficiente para que o jogo não se tivesse realizado.
No entanto, os delegados decidiram que havia condições para a realização do jogo, que começou com um atraso de cerca de 20 minutos e com o Sporting privado de dois elementos da sua equipa, isto porque, alegam os portistas, o cheiro já se havia dissipado e, digo eu, não tinha morrido ninguém. É caso para perguntar: e se em vez de dois tivessem sido sete ou oito os elementos do Sporting afetados, havia condições para se jogar na mesma? Afinal o cheiro já tinha desaparecido e ainda havia jogadores suficientes para se formar uma equipa, só que a equidade competitiva já estava desvirtuada.
A transmissão televisiva do Porto Canal começou com uma bonita nota de abertura em que o narrador de serviço depois de dar boa tarde acrescentou: "é com os valores do desporto sempre presentes que ao longo dos anos o Futebol Clube do Porto recebe todos os adversários", imaginem o que poderia acontecer ali se assim não fosse.
Antes, às 17h58m, ainda o jogo não tinha começado, já o FC Porto emitia um comunicado onde desmentia "de forma absoluta, clara e inequívoca os relatos tornados públicos relativamente a incidentes alegadamente ocorridos no balneários visitante do Dragão Arena....associados a supostos odores intensos" afirmando ainda que "tais insinuações são graves, abusivas e totalmente destituídas de qualquer fundamento." para mais à frente classificar as indisposições dos elementos do Sporting como "aparentes". Recorde-se de que o jogo estava marcado para as 18h e que as primeiras notícias sobre o assunto começaram a sair pouco tempo antes, pelo que a reação do FC Porto foi muito rápida, de tal forma que até parece que já estavam preparados para o que aí vinha.
De qualquer maneira, não só negaram os odores que mais tarde foram confirmados pela delegada ao jogo, perante o silêncio do outro delegado, que curiosamente é um antigo dirigente do clube portista, e por um jornalista que horas depois foi ao referido balneário a convite do FC Porto, como insinuaram que tudo se tinha tratado duma farsa maquinada pelo Sporting, só para denegrir a imagem e a reputação dos portistas.
Portanto, eles acreditam que a estrutura do Andebol do Sporting resolveu inventar aquilo tudo, indo ao ponto de entrar em campo com menos dois elementos, enfraquecendo a sua equipa, só para atacar o FC Porto porque o Varandas não gosta do Luís André, tudo isto no jogo que podia decidir o Campeonato.
Outra teoria imaginativa que também já ouvi, foi a de que o Sporting queria adiar o jogo pois na 5ª feira vai defrontar o Wisla Plock para a Liga dos Campeões, que é algo que também não faz sentido, em primeiro lugar porque o FC Porto nesta altura tem 5 baixas no seu plantel, contra uma única ausência por lesão no Sporting e depois porque adiar este jogo só iria sobrecarregar o calendário para a fase final da época, onde o Sporting ganhando no Dragão, como ganhou, ficava com o tri praticamente garantido, podendo concentrar-se no grande objetivo que é atingir a final a quatro da Liga dos Campeões, sem esquecer que se o Sporting tivesse inventado isto tudo para não jogar, podia ter mandado toda a gente para ambulância, em vez de apenas dois.
Já vi também Sportinguistas a defender que a nossa equipa não devia ter ido a jogo, o que obviamente teria sido um erro tremendo, não só porque, pelas razões atrás referidas, o adiamento não nos seria favorável, como, principalmente, porque era isso que eles queriam para tentarem ganhar na secretaria aquilo que não conseguem no campo.
Acrescentam os portistas que estes problemas só acontecem com o Sporting, e de certa forma têm razão, pelo que é caso para perguntar: Porquê sempre com o Sporting? A resposta parece óbvia: É o Sporting que neste momento lhes faz frente.
Vilas Boas durante a campanha eleitoral que o levou a derrotar Pinto da Costa apresentou-se como o rosto de uma mudança, numa altura em que o poder instituído estava a cair de podre, mas o seu primeiro ano desportivamente foi um desastre, pelo que estou convencido de que ele terá sido apertado por algumas pessoas que trabalham naquele clube há muitos anos, e que provavelmente o terão convencido de que para ganhar era preciso voltar aos métodos do passado, até porque como eles sempre ganharam assim, não conhecem outra forma de o fazer e até estão convencidos de que há um "manto verde", só porque agora é o Sporting quem está a ganhar mais. O pior é que quando se dá poder a esta gente, fica-se refém deles e, nesta altura, parece-me que o presidente do FC Porto perdeu o controlo da situação, pelo que a coisa já chegou a este ponto.
Entretanto, o Ministério Público anunciou ontem a abertura de um inquérito criminal, considerando que os factos noticiados poderão configurar um crime público. Pode ser que seja desta vez que se acabe com a impunidade, porque das reuniões com o Governo não se pode esperar grande coisa.
No fim, o mais importante foi a vitória do Sporting, que praticamente garantiu o tricampeonato, permitindo à equipa focar-se essencialmente na Liga dos Campeões, o que só por si demonstra a qualidade deste grupo, que merece que a Direção faça um esforço adicional para manter os melhores jogadores e reforçar a equipa com mais dois ou três bons elementos, que nos permitam sonhar mais alto.
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