O Sporting conseguiu um feito histórico no qual poucos acreditariam e eu confesso que depois daqueles 3-0 na Noruega também estava convencido de que só um milagre nos salvaria, não pela falta de qualidade da nossa equipa, mas mais pela questão física e pela falta de profundidade do plantel, que em Braga e em Bodo foram determinantes para os tais dois resultados que me pareciam poder ser fatais para as aspirações desta equipa em chegar aos quartos de final da Liga dos Campeões e conquistar o tão desejado tri. Não foi preciso um milagre, mas foi um jogo de superação em que todos estiveram à altura do desafio.
O adiamento do jogo com o Tondela que estava agendado para um fim de semana em que eu estaria em Lisboa, foi algo que não me agradou por motivos obviamente egoístas, mas afinal foi bem jogado, pois Rui Borges aproveitou a semana para limpar a cabeça da sua rapaziada e fazê-los acreditar, da mesma forma que o departamento de comunicação do Sporting fez um grande trabalho de aglutinação da massa adepta leonina, que também foi importante para empurrar a equipa para um dos maiores massacres de que eu me lembro e intimidar os noruegueses, que como seu treinador reconheceu foram muito pequenos para a grandeza da ocasião e do adversário.
O regresso de jogadores chaves como Maxi Araújo e Pedro Gonçalves foi outro fator determinante para melhoria substancial da equipa que, no entanto, ultrapassou todas as expetativas mais otimistas, jogando a um ritmo alucinante desde o início do jogo, de tal forma que aos 14 minutos já a eliminatória poderia estar empatada.
Ainda houve tempo para um susto quando Hogh poderia ter arrumado a questão, mas faltou-lhe jeito, até que o golo surgiu na sequência de um canto, algo que também não é muito habitual neste Sporting, mas que foi o combustível de que a equipa precisava e que veio na altura certa para manter a chama acesa.
Perto do final da 1ª parte Alvalade estremeceu quando a bola bateu duas vezes na barra da baliza de Rui Silva, mas acabou aí a reação do Bodo e o intervalo chegou com um resultado que sabia a pouco, até porque se esperava que o fator físico pesasse a favor dos noruegueses.
O que se seguiu foi algo surpreendente, pois a equipa conseguiu manter o ritmo na 2ª parte, aniquilando completamente o Bodo, de tal forma que o prolongamento foi um castigo injusto para este grande Sporting, num dia em que até as substituições foram a preceito, e nos 30 minutos suplementares, em vez das motos norueguesas tivemos a formula 1 à portuguesa, com o golo de Rafael Nel a ser a cereja no topo do bolo.
Esta terá sido talvez a melhor exibição que eu me lembre do
Sporting, com a “agravante” de ter abrilhantado uma reviravolta histórica, que
para mim terminou com um belo conhaque na Churrasqueira Galo em Paris, porque há
sempre um cantinho português em qualquer parte do mundo.
Segue-se o super Arsenal líder da Premier League, pelo agora que tudo o que vier é lucro, mas mais importante será ganhar ao Alverca num
jogo em que espero que a moralização resultante desta vitória supere o cansaço
inevitável que ela terá deixado.

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