Muita palha e pouca uva


O debate entre os dois candidatos à Presidência do Sporting Clube de Portugal não foi bonito e muito menos esclarecedor, principalmente porque Bruno Sá em vez de se preocupar em apresentar as suas propostas, limitou-se a disparar contra Varandas recorrendo a tiradas ensaiadas típicas da ala brunista que ainda por aí anda no anonimato da internet e só faltou mesmo falar da fivela, mas como Alcochete ainda é uma ferida por sarar ele não chegou a tanto.

A comunicação nunca foi o forte de Frederico Varandas e foi visível que ele estava a ferver, mas mesmo que se tenha esforçado para se conter, por vezes não conseguiu resistir às constantes provocações, momentos que deixaram o seu inerloucutor visivelmente satisfeito com ar de missão cumprida. 

No fundo, não chegou a ser um debate, porque, de um lado tivemos um candidato a criticar o incumbente e a levantar algumas questões, às quais o outro foi respondendo, nem sempre da melhor forma, ao mesmo tempo que ia desfilando a sua folha de serviços.

Parece-me positiva a existência de uma lista de oposição, até porque há uma ala que defende um Sporting Clube Popular que tem todo o direito e até o dever de apresentar as suas soluções aos Sportinguistas, e também porque nem tudo correu bem no mandato da atual Direção, pelo que há questões que convém melhorar e esclarecer, mas, infelizmente, ainda não foi desta que tal foi possível.

Do programa de Bruno Sá pouco ou nada se ficou a saber porque não foi para isso que ele concorreu. O seu discurso foi apenas sobre os autoaumentos do Presidente, a chave na mão do Amorim, a tomada do Pólo EUL pelo Benfica, os sócios descalços, a falência do modelo centrado no jogador e da unidade de performance, os clientes em vez de sócios, o crescimento do passivo que o poderá colocar no papel da troika, as fotos dos bocejos do Presidente no Pavilhão e o facto de Varandas fazer Surf e jogging.

O pouco que sobrou deste longo debate foi que deu para depreender que o contrato de Rui Borges será renovado depois das eleições, isto apesar de uma das narrativas de Bruno Sá ser a de que o treinador está a ser cozinhado e será por aí que a corda vai partir. Para além disso também se ficou a saber que a Direção pondera a criação de uma bancada sem lugares sentados, mas na zona especial para os adeptos, coisa que as claques não aceitam. O resto foi palha.



Comentários