Como seria de esperar, Rui Borges tem sido apontado como o principal responsável por estes dois últimos resultados que podem ter estragado a época ao Sporting e é inegável que algumas das suas opções não funcionaram, mas na minha opinião temos de ir a jusante para perceber por que é que ele na fase decisiva da temporada anda a remendar a equipa com aquilo que têm, que na realidade é o que lhe deram.
Agora pode-se dizer que na direita devia ter jogado o Eduardo Quaresma, ou que teria sido melhor só mexer numa posição e jogar com o David Moreira na esquerda, mas a verdadeira questão passa por perceber o porquê da contratação de Georgios Vagiannidis, um jogador que tendo custado 12 milhões de € teria de pelo menos servir para jogar quando fosse preciso, ou se terá sido boa ideia deixar sair Matheus Reis, mesmo que os bons serviços prestados possam servir de justificação para essa decisão.
Mas a verdade é que a política de contratações desta época foi um desastre, pois dos 7 jogadores inicialmente recrutados 5 nada acrescentaram e apenas se acertou em cheio num, que por acaso foi aquele que à partida tinha a missão mais complicada, pois vinha substituir um bicho como Gyokeres. Até o Alisson, que apesar de algumas limitações estava a ser útil, foi despachado sendo substituído por um velocista e por outro, que pelo pouco que já se viu, nem para correr serve.
Está aqui a grande diferença entre o Sporting e o FC Porto, que esta época acertou em cheio nas suas contratações. Basta imaginarmos que tínhamos conseguido chegar ao Alberto Costa e ao Froholdt e que em Janeiro contratávamos alguém para acrescentar uma coisinha, como foi o caso de Pietuszewski, em vez das apostas falhadas em Georgios Vagiannidis, Giorgi Kochorashvili e Souleymane Faye, isto já para não falar da troca do trapalhão Harder, pela versão grega do St. Juste, que obiga o Luis Suárez a jogar até à exaustão, o mesmo acontecendo com o Francisco Trincão de tal forma que agora até percebo o porquê de Rui Borges ter pedido o Jota Silva.
É claro que também podemos falar de algumas atenuantes para a exibição de ontem, como um penalti forçado, a sorte nos ressaltos, como aconteceu no lance do 2º golo, e o relvado artificial, mas isso faz parte e tem de ser ultrapassado a jogar mais, coisa que neste jogo e na 2ª parte de Braga não aconteceu porque a equipa está espremida e esgotada.
Rui Borges justificou a exibição principalmente com a falta de atitude competitiva e de disponibilidade física, e aqui chegamos a outro problema deste Sporting: lesões atrás de lesões, recuperações demoradas, recaídas, estouros nas segundas partes, o que não pode deixar de ser preocupante, principalmente quando se vai jogar com equipas muito físicas como este Bodo.
O principal responsável pela preparação física é o treinador, mas a famosa Unidade de Performance não parece estar a funcionar muito bem, com a agravante de termos um Presidente que foi Diretor Clínico do Clube, cargo que desempenhava com reconhecida competência, pelo que mais do que ninguém tem a obrigação de perceber o que está a funcionar mal neste sector.
Agora, poucos serão os que acreditam num milagre na próxima 3ª feira, até porque os outros vão continuar a andar de mota, enquanto os nossos parecem só ter bicicletas, algumas delas sem motor e no Campeonato estaremos dependentes das derrapagens do FCP de Farioli, outra equipa que também anda de mota, mesmo que já esteja a engasgar-se, pelo que, infelizmente, se calhar, o jogo da Taça no Dragão passou de secundário para o mais importante da época.
Só espero que isto tudo sirva para que se aprenda alguma coisa, como se aprendeu no final da época 2022/23, resta saber se Rui Borges tem força para se fazer ouvir, como o Ruben Amorim teve na altura.

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