E o melhor em campo foi o árbitro


O jogo que poderia ter sido o do título foi uma deceção e terminou empatado porque as duas equipas adotaram uma estratégia muito cautelosa, preocupando-se acima de tudo em não perder, de tal forma que até ao 1-0 não havia registo de uma única oportunidade flagrante de golo, nem sequer de uma defesa digna desse nome, havendo apenas uma meia duzia de jogadas de relativo perigo.

Poderão os adeptos dos dois clubes queixar-se dos seus treinadores que nada fizeram para conseguir uma vitória que para o FC Porto significaria ficar com o campeonato no bolso, enquanto se fosse o Sporting a ganhar ficaria a apenas 1 pontinho da liderança e com uma vantagem anímica significativa, mas eles sentiram que as suas equipas não estavam suficientemente fortes para assumir riscos e preferiram não perder, de tal forma que eu acredito que a 15 minutos do fim ambos assinariam por baixo do empate, até porque sofrer um golo a partir dali seria meio caminho andado para a tal derrota que os dois tanto temiam.

Mexeu primeiro Farioli e a verdade é que Mora até esteve no golo que desbloqueou o jogo e que aconteceu numa altura em que Rui Borges, que não costuma ser muito lesto no banco, se preparava trocar o desgastado Hidemasa Morita por João Simões e provavelmente Pedro Gonçalves por Luís Guilherme, mas o golo de Fofana, obtido numa jogada em que os portistas remataram 4 vezes à baliza, tantas quantas o fizeram no resto do jogo todo, obrigou o treinador do Sporting a uma alteração mais ambiciosa, só que a verdade é que no banco não tinha muitas opções que lhe permitissem mexer com o jogo e os que entraram a seguir eram piores dos que saíram esgotados, o que de certa forma justifica as decisões, ou neste caso a falta delas, da parte de Rui Borges.

Mesmo assim, com Daniel Bragança e Souleymane Faye, o Sporting foi para cima deles. Francisco Trincão e Morten Hjulmand estiveram muito perto do empate, que chegou outra vez em cima do gong, dando justiça ao resultado, mas com um sabor diferente do que teria sido um zero a zero aceite de bom grado por ambas as partes, que foi substituído por um travo muito amargo para os portistas, que estavam a poucos segundos de quase garantir a conquista deste campeonato e, de repente, ficaram sem chão.

Num jogo tão morno e sem grandes rasgos individuais, a nota de destaque vai para Luís Godinho, na minha opinião, o melhor dos árbitros portugueses. Não é para qualquer um marcar um pénalti no Dragão contra o Porto, no último lance de um jogo que podia ter decidido um campeonato para a equipa da casa e sem  esperar pelo VAR, embora me pareça que a ajuda do fiscal de linha foi preciosa. Parabéns para eles.

E se o nosso futebol está diferente para melhor em muitas coisas, há outras que tardam em mudar e a nota negativa vai, como não podia deixar de ser, para a velha e estafada mentalidade pequenina de quem acha que vale tudo para ganhar, ao ponto de em direto e a cores, à frente de tudo e de todos, terem escondido bolas e cones, roubado toalhas e tudo o resto que se passou à volta deste jogo, logo a começar pelas declarações do presidente portista na tentativa de condicionar a arbitragem.

Agora, o campeonato ficou mais embrulhado e até ao fim do mês teremos três jornadas em que nenhum dos grandes pode perder pontos, com o Benfica a ter o calendário mais apertado, ainda por cima com os jogos da Liga dos Campeões para complicar e este Porto, que parece estar a descoser-se todo, a ir à Choupana, enquanto o Sporting tem adversários chatos. Depois, teremos a tal 25ª jornada com o Porto na Luz e o Sporting em Braga, jogos que poderão dar uma nova fisionomia a este campeonato e, quem sabe até, se pode colocar os dois velhos rivais de Lisboa outra vez na disputa de um título que parecia estar destinado ao Porto.


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