Só meia hora não deu


O FC Porto terá sido o grande vencedor de um "derby" cujo empate no fim foi transformado numa grande vitória do EU, que explicou como antes do intervalo tinha mandado um seu assistente preparar umas imagens mágicas que terão mudado o jogo, mesmo que o resultado não tivesse sofrido qualquer alteração, mas isso que de certeza não foi por culpa dele. É o futebol aos quadradinhos do treinador mais indemnizado do mundo, que consegue ver o que mais ninguém vê.

Mas vamos ao que eu vi, que foi um Sporting que entrou muito bem mas que só durou meia hora, na qual vulgarizou um Benfica completamente atarantado e poderia e deveria ter arrumado a questão, se os seus avançados tivessem sido mais esclarecidos nos momentos da definição de alguns lances que tinham tudo para dar golo.

Quem não mata morre e o empate, que surgiu aos trambolhões na primeira vez em que o Benfica chegou com algum perigo à baliza adversária, num lance em que eu não percebi o que é que o Geny Catamo queria fazer, foi como que um choque que mudou animicamente o jogo, que até ao intervalo ficou equilibrado.

Na 2ª parte tudo foi diferente e conforme Rui Borges reconheceu faltou energia à equipa, e bola digo eu, resta tentar perceber o porquê dessa quebra, coisa que o treinador do Sporting afirmou que irá tentar fazer quando dissecar o jogo com o grupo. É a diferença entre ter um humano, ou um ilusionista no banco e nas conferências de imprensa, onde um luta para não descer de divisão e o outro já é campeão.

Mas a verdade é que por artes mágicas, ou não, a iniciativa do jogo passou para ou outro lado e foi o Benfica, que apesar de não ter tido grandes oportunidades e de nem ter dado muito trabalho a Rui Silva, que esteve mais perto do 2-1, até porque as substituições operadas pelo treinador leonino não resultaram, sendo a total desinspiração de Geovany Quenda o maior exemplo desse vazio.

Só depois da expulsão de Prestianni é que o Sporting recuperou a iniciativa do jogo, mas já faltava pouco, pelo que o empate acaba por ser um resultado que se aceita, entre uma equipa que quis mais e outra que não pôde mais. 

E por falar em mais, um sinal + para a arbitragem compreensivelmente defensiva de António Nobre, mas globalmente positiva, que calou a boca aos que tanto desejavam a árvore de natal do costume. Felizmente que os tempos mudaram e o Natal já não é sempre que eles querem.

Comentários

  1. Boca santa! Ideias claras e texto muito bem escrito! És um poeta!

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